Renault e Hyundai melhoram vendas, apesar de mercado ruim

Renault e Hyundai, mais as japonesas Toyota e Mitsubishi, são, pelo menos até o momento, as únicas montadoras instaladas no país que conseguem "remar" contra a queda no consumo de carros.

Desse quarteto, a francesa Renault e a coreana Hyundai são as marcas que mais ganham mercado neste ano. A primeira se recupera do desempenho negativo nos primeiros meses de 2013, quando parou a produção por dois meses para concluir a expansão de sua fábrica no Paraná, o que provocou desabastecimento da rede de concessionárias na época. Já a Hyundai, assim como a Toyota, segue colhendo os frutos da investida no mercado de automóveis compactos com a produção local do HB20. No último ano, a montadora conseguiu avançar ainda mais no segmento ao lançar uma versão sedã do modelo.

Entre janeiro e abril deste ano, quando o consumo de carros no Brasil caiu 4,5%, a Renault vendeu quase 7 mil automóveis a mais do que nos quatro primeiros meses de 2013. Em igual período, a evolução da Hyundai, em valores absolutos, chegou perto das 6 mil unidades, incluindo na conta modelos importados e os utilitários montados pela parceira Caoa em Goiás. Só as vendas do HB20 - único modelo produzido na fábrica do grupo coreano em Piracicaba (SP) - crescem 16,7% neste ano.

A Mitsubishi, por sua vez, cresce 4%, na esteira da ampliação de capacidade e nacionalização de modelos, como o utilitário esportivo ASX, na fábrica de Catalão, no sul goiano.

O bom desempenho, contudo, não significa que essas marcas estão imunes à conjuntura negativa da indústria. A Renault cortou metade da produção do terceiro turno e tem feito paradas de linha por conta da queda nas exportações para a Argentina.

Já a Hyundai segue operando a plena capacidade, mas vai aproveitar a Copa do Mundo, quando espera-se uma retração no fluxo de consumidores nas concessionárias, para interromper a produção na fábrica de Piracicaba em dias de jogos da seleção brasileira, marcando também 12 dias de férias coletivas para a primeira quinzena de julho.

Números divulgados na sexta-feira (2) pela Fenabrave, a entidade que representa as concessionárias de veículos, confirmam que o setor emitiu sinais de reação em abril, mas segue bem abaixo dos volumes do ano passado.


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Entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, as vendas do mês passado somaram 293,3 mil unidades, o que representa uma alta de 21,8% ante o fraco desempenho de março, quando o resultado foi prejudicado pelo feriado de Carnaval.

O ritmo de abril foi o melhor do ano, com quase 14 mil carros vendidos a cada dia útil - excluindo da conta os veículos pesados. Foi superior, inclusive, à média diária de janeiro - 13,6 mil unidades -, quando o mercado ainda contava com estoques de automóveis com alíquotas mais baixas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Os números, porém, seguem inferiores aos emplacamentos de um ano antes, com queda de 12,1% nas vendas de veículos em relação a abril de 2013. Mais uma vez o desempenho foi afetado por feriados - Sexta-feira Santa e Tiradentes -, que tiraram dois dias de venda no último mês.

Esse resultado aprofundou, de 2,1% para 5%, a queda acumulada pela indústria neste ano. No total, 1,11 milhão de veículos foram licenciados nos quatro primeiros meses, 58,2 mil unidades a menos do que em igual período de 2013, ou uma diferença equivalente a quase quatro dias de venda.

O Gol, hatch compacto da Volkswagen, recuperou em abril o posto de carro mais vendido do país - posição que havia perdido para a picape Strada, da Fiat, em março. Apesar disso, a montadora alemã, com o impacto das aposentadorias da Kombi e do Gol G4 - que era seu carro mais barato - é a que mais perde vendas neste ano: até abril, foram 33 mi carros a menos do que em igual período de 2013. Com 17,3% das vendas, a Volks perdeu para a General Motors, que tem 17,7% do mercado, a segunda colocação no ranking das marcas. A liderança segue com a Fiat, que respondeu por 22,3% dos carros emplacados até abril.




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