ArcelorMittal adia novo projeto de Vega

A siderúrgica decidiu postergar por mais um ano a decisão de investir US$ 320 milhões para erguer uma nova linha de laminação de aço dedicada ao atendimento do setor automotivo.

Diante da desaceleração da economia brasileira e do excesso da oferta de aço no mundo, que tem transformado o Brasil em um importante importador, o grupo ArcelorMittal, líder mundial do setor, decidiu postergar por mais um ano a decisão de investir US$ 320 milhões para erguer uma nova linha de laminação de aço dedicada ao atendimento do setor automotivo.

A informação foi dada ao Valor por Benjamin Baptista Filho, presidente da ArcelorMittal Tubarão, subsidiária do grupo que no Brasil opera o segmento de aços planos. Essa área é formada por uma siderúrgica em Serra (ES) - que produz placas e bobinas laminadas a quente - e por uma unidade de laminação, Vega do Sul, em São Francisco do Sul (SC), que beneficia bobinas a frio e galvanizadas.

O material para a Vega é suprido pela usina de Serra, que envia as bobinas a quente para o processo de agregação de valor.

O investimento prevê a instalação da terceira linha de aço galvanizado em Vega do Sul, apta a processar por ano 550 mil toneladas de chapas usadas na fabricação de carrocerias de automóveis. O material é especial, com 100% de proteção contra corrosão.

Baptista disse que a companhia quer esperar um cenário mais firme da economia do país, e mundial, para tomar a decisão. Atualmente, as vendas de veículos no país mostram sinais de desaquecimento, com montadoras pisando o pé no freio da produção.

O mercado de aço galvanizado tende a crescer no Brasil, pois cada vez mais as montadoras vêm substituindo o aço laminado a frio nas carrocerias de seus automóveis, embora com preço mais elevado. "Só carros baratos ainda usam o material menos nobre", disse Baptista. Apesar disso, a empresa prefere ser mais cautelosa.

Hoje, a unidade de Vega tem uma linha em operação para atender o setor automotivo e outra para linha branca e construção civil. A capacidade total é 950 mil toneladas por ano. A unidade faz ainda cerca de 500 mil toneladas de aço laminado a frio, as quais são vendidas para diversas aplicações industriais, como setor de autopeças e outros.


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A nova linha, caso seja aprovada em maio de 2015, deverá entrar em operação em meados de 2017, depois de 24 meses de instalação, informou o executivo. Ela ganhará um novo prédio, ao lado das atuais unidades de Vega.

O aporte de recursos será de US$ 280 milhões nas instalações e equipamento de laminação e outros US$ 40 milhões na expansão do laminador de bobinas a quente, em Serra, elevando sua capacidade de 4 milhões para 4,5 milhões de toneladas por ano.

Com isso, a ArcelorMittal ficará com o seguinte portfólio de produtos: 1,5 milhão de toneladas de aço galvanizado, 500 mil de laminado a frio e 2,5 milhões de toneladas de bobinas a quente.

Hoje, suas principais concorrentes locais são Usiminas, CSN e importações, principalmente da China. A Gerdau acaba de entrar na área de aço laminado a quente.

Enquanto isso, com pequeno investimento - de US$ 28 milhões - a ArcelorMittal busca obter uma capacidade extra de 100 mil toneladas nas instalações de Vega do Sul. Conforme Baptista, esse volume adicional virá com alguns equipamentos adicionais. Desse volume, 40% será de chapas galvanizadas e 60% de laminado a frio..

Nesse investimento está incluída uma linha especial para produção do aço Usibor, já fabricado no exterior pelo grupo e que hoje é importado pela empresa. O material tem uma qualidade mais elevada e maior resistência para uso na indústria automotiva.

A linha para produção do Usibor terá capacidade de fazer 150 mil toneladas ao ano e será concluída até o fim deste ano.




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