China ultrapassa EUA como maior emissor de CO2

Fonte: Envolverde - 21/06/07

A China acaba de ocupar o lugar dos Estados Unidos como maior emissor de dióxido de carbono (CO2) do mundo. O anúncio realizado nesta terça-feira (19) foi recebido com surpresa, já que essa superação da China não era esperada para os próximos anos, apesar de relatórios recentes já terem previsto que isso ocorreria até 2008. Agora, é provável que aumente a pressão mundial para que o novo acordo sobre mudanças climáticas, que deverá substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012, inclua a economia chinesa.

Mas, segundo a Agência Ambiental da Holanda, a maior demanda por carvão para geração de eletricidade e uma oscilação na produção de cimento ajudaram a empurrar as emissões registradas da China em 2006 para além das dos EUA. A entidade diz que a China produziu 6.200 milhões de toneladas de CO2 no último ano, em comparação com 5.800 milhões de toneladas dos EUA. Para se ter uma noção, a Grã-Bretanha produziu cerca de 600 milhões de toneladas.

Jos Olivier, um cientista sênior da agência governamental que compilou os dados, diz: “Ainda há uma certa incerteza em relação aos números exatos, mas esta é a melhor e mais atualizada estimativa à disposição. A China aposta pesadamente no carvão e todas as tendências recentes mostram suas emissões aumentando rapidamente”.

As emissões chinesas estavam 2% abaixo das americanas em 2005. Ao se analisar a poluição per capita, as emissões da China se mantêm relativamente baixas – correspondem a ¼ dos EUA e à metade do Reino Unido.

As novas estatísticas apenas incluem as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento. Não incorporam outras fontes de gases do efeito estufa, como metano gerado na agricultura e óxido nitroso de processos industriais. Também excluem outros geradores do CO2, como indústrias de aviação e navegação ou processos de desmatamento.

Oliver diz que foi duro conseguir estimativas atualizadas e confiáveis para estes tipos de emissões, particularmente em países em desenvolvimento. Mas ele afirma que a inclusão dessas fontes pouco mudaria a posição da China. “Visto que a China passou os EUA em 8% (em 2006), será muito difícil compensar isso com outras fontes de emissões”.

Metas

O anúncio chegou no momento em que as negociações internacionais rumam para a criação de um novo acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto em 2012. Um dos motivos pelos quais os EUA se recusaram a ratificar o tratado era a inexistência de metas para países com grande crescimento, como China, Índia e Brasil. Agora, é possível que as discussões internacionais girem em torno de ações obrigatórias também para essas nações, que são grandes emissores de CO2. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, acredita que uma saída seja o desenvolvimento de mercados para captura e comércio de carbono, que possam estar relacionados depois.

No início do mês, o governo chinês anunciou o seu primeiro plano nacional para mudanças climáticas, que levou dois anos para ser preparado por 17 ministros. A idéia é segurar o volume de gases do efeito estufa per capita reduzindo o consumo de energia em 20% até 2010 e aumentando as fontes de energias renováveis em 10%; além de cobrir 20% das terras nacionais com floresta.

No entanto, a China enfatizou que tecnologias e custos são as maiores barreiras para se alcançar a eficiência energética no país; e que será complicado alterar a dependência do carvão em um curto espaço de tempo. Um porta-voz do governo explicou que a China precisa de cooperação internacional para se transformar em uma economia de baixa emissão de carbono. Mas as indústrias chinesas estão hesitantes em utilizar um carvão mais limpo ou apostar em tecnologias de captura de carbono que ainda estão sendo desenvolvidas.



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