Minério contribui para elevar margem de ganho da Gerdau

Minério contribui para elevar margem de ganho da Gerdau

O plano de verticalização da Gerdau começa a se refletir nos resultados e ganha força nas previsões da companhia para o ano. A siderúrgica comandada por André Gerdau Johannpeter divulgou na sexta-feira ( 21) seu balanço, em que mostrou aumento da produção de minério de ferro, e destacou seus planos para o mais novo negócio - aços planos -, em Ouro Branco (MG). O objetivo é operar com até metade de sua capacidade instalada em 2014.
 
Além das duas operações, a companhia dá sequência a sua estratégia de diversificação com outros projetos, como o laminador de chapas grossas, também em Ouro Branco, a unidade de aços especiais na Índia, que entrou em funcionamento no ano passado, e a nova usina de perfis no México, prevista para operar em 2015.
 
No mercado de minério de ferro, a Gerdau informou que já vendeu 1,2 milhão de toneladas no ano passado a terceiros (volume excedente ao que consome na usina de Ouro Branco). Até 2016, pretende atingir 18 milhões de toneladas de produção total. No quarto trimestre, o maior volume de venda fez com que sua receita de exportações não sofresse com a redução das vendas de aço.
 
A atuação no início da cadeia vem contribuindo para elevar as margens da empresa. De 9,9% de margem Ebitda no quarto trimestre de 2012, passou para 13,3% no mesmo período de 2013.
 
Segundo André Pires, vice-presidente e diretor de relações com investidores, o aumento da produção de minério tem como destino principal o mercado externo. Mas isso não significa que não atenderá demanda interna, disse. Vai depender dos preços e da demanda, afirmou Pires em teleconferência.
 
A Gerdau não informou projeções de produção e venda de minério para este ano. Disse apenas que a operação de mineração será "relevante" e que falará mais sobre isso em maio, quando divulgará seus dados do primeiro trimestre, já separadamente no balanço. Em relatório, os analistas do Santander estimam que a empresa pode chegar a 1 milhão de toneladas por trimestre em 2014.
 
No ano passado, o grupo ampliou a capacidade de produção de minério de 6,5 milhões para 11,5 milhões de toneladas por ano.
 
No mercado de aços planos, André Gerdau disse que a empresa não será muito influente, mas que vai capturar ganhos. "Antes fazíamos e exportávamos placas, agora com as bobinas temos uma vantagem", afirmou, acrescentando que as margens da operação estão dentro da expectativa da Gerdau para o pagamento do investimento realizado. Segundo ele, a empresa imagina chegar a 40% ou 50% de utilização no laminador de bobinas a quente ainda neste ano. Isso significaria uma produção de 320 mil a 400 mil toneladas anuais, pois a capacidade é de 800 mil toneladas. No laminador de chapas grossas, previsto para iniciar operação no fim de 2015, a capacidade prevista é de 1,1 milhão de toneladas anuais.
 
A Gerdau terminou 2013 com receita líquida de R$ 39,9 bilhões, aumento de 5%, e Ebitda de R$ 4,8 bilhões, crescimento de 15%. O lucro líquido somou R$ 1,7 bilhão - maior 13%. No mercado de aço, a companhia produziu 18 milhões de toneladas em 2013, 5% a menos do que em 2012. Já as vendas de produtos caíram 0,5%, para 18,5 milhões de toneladas.
 
Apesar da melhora dos resultados, as ações da companhia caíram 3,13% na sexta-feira, para R$ 14,86. Entre os fatores que podem ter pressionado os papéis está o reconhecimento, por parte do grupo, de que o inverno rigoroso nos Estados Unidos poderá ter efeitos negativos sobre as vendas no país. O analista Marcel Kussaba, sócio da gestora Quantitas, comenta ainda que as ações da empresa passaram a cair quando o mercado percebeu que R$ 98,6 milhões do Ebitda anual da empresa foi resultado de uma operação não recorrente da venda e posterior aluguel de imóveis da Comercial Gerdau. (Colaboraram Daniela Meibak, Fábio Pupo e Tatiane Bortolozi, de São Paulo)
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