País é prioridade para nova CEO da GM

"O Brasil e a América do Sul são mercados muito importantes para nós", nova presidente mundial da GM, Mary Barra.

A engenheira americana Mary Barra, que assumiu nesta quarta-feira (15) o comando da General Motors (GM) no mundo, já colocou o Brasil no topo de sua agenda. A executiva planeja fazer ainda neste trimestre sua primeira visita ao país na condição de presidente global da montadora americana. A partir de então, deve dar início ao que promete ser um novo ciclo de desenvolvimento tecnológico da empresa no mercado brasileiro.
 
"Ainda não tenho fechado quais serão os dias, mas minha intenção é fazer isso no primeiro trimestre. O Brasil é um mercado na América do Sul muito importante para a General Motors e nossa intenção é fortalecer ainda mais a marca e o portfólio da Chevrolet", afirma Mary, em suas primeiras declarações sobre o país. "Vou conversar com o Santiago [Santiago Chamorro, presidente da GM no Brasil] e confirmar quando podemos agendar [a visita]. Mas isso deve ser no primeiro trimestre", acrescentou.
 
Embora a decisão deixe claro que o país é uma prioridade, ir ao Brasil está longe de ser novidade para Mary. Como chefe global de desenvolvimento de produtos, cargo que ocupava desde fevereiro de 2011, a executiva participou ativamente da ampla renovação no portfólio de automóveis da Chevrolet no Brasil, visitando o país entre duas ou três vezes por ano.
 
Nesse período, informa ter ficado impressionada com o desenvolvimento do mercado, mas também pôde identificar o longo caminho que a indústria brasileira terá que percorrer para reduzir a defasagem tecnológica de seus carros em relação aos veículos comercializados em mercados desenvolvidos.
 
Assim, um dos objetivos de Mary é acelerar a evolução de recursos tecnológicos - como a conectividade dos carros com dispositivos móveis - a partir de sistemas já disponíveis no Brasil, como é o caso da central multimídia batizada de MyLink. "Obviamente, existem carros de entrada que são produtos avançados, mas eu também penso o que nós podemos fazer, por exemplo, com o MyLink", disse a executiva.
 
As declarações da CEO indicam que, concluído o programa de renovação da linha, que culminou com o lançamento de nove modelos em apenas 15 meses, o foco da GM volta-se a partir de agora ao padrão tecnológico desses carros. "Você sabe, nosso foco tem que ser o de entender quais tecnologias os consumidores estão buscando para seus veículos. E nosso compromisso é oferecer a eles a tecnologia que seja útil", afirmou Mary.
 
O Valor entrevistou com exclusividade a nova CEO da GM durante jantar mais reservado, na terça-feira, com a imprensa internacional num refinado restaurante instalado no último andar da torre mais alta do Renaissance Center. Trata-se do complexo onde está a sede da montadora americana em Detroit.
 
Vestindo um tailleur preto, Mary calmamente parou, mesa por mesa, para cumprimentar todos os presentes. Circulava de maneira bem mais confortável em relação à visita que fez na segunda-feira ao salão do automóvel em Detroit, quando um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas se apinhou ao seu redor para registrar uma imagem da primeira mulher na história a ocupar o cargo de comando mais alto de uma montadora.
 
Mary, atualmente com 52 anos, construiu toda sua trajetória profissional na General Motors. Filha de um operário da extinta Pontiac, marca do grupo, ingressou no grupo em 1980, aos 18 anos, como estudante da Kettering University, o instituto de ensino superior da GM, onde se graduou como engenheira elétrica.
 
Antes de liderar a área de desenvolvimento de produto, foi gerente de uma linha de montagem em Detroit e vice-presidente global de manufatura e engenharia.
 
Com a decisão de Dan Akerson de antecipar sua aposentadoria para acompanhar o tratamento de um câncer em sua esposa, Mary foi nomeada no mês passado diretora-executiva global (ou CEO - principal executiva).
 
Ainda que o discurso oficial da empresa seja o de preservar a rentabilidade do negócio - e não o de "comprar" mercado -, um dos desafios mais difíceis de Mary à frente da GM será o de recuperar a liderança mundial da indústria de veículos, perdida para a Toyota nos últimos anos.
 
No Brasil, onde está o terceiro maior mercado do mundo da marca Chevrolet, a montadora conseguiu aumentar em 1,1% suas vendas no ano passado, com pouco mais de 600 mil veículos, na contramão da queda de 1,5% da indústria de veículos leves. A empresa fechou o ano ameaçando a segunda posição no mercado, detida pela Volkswagen.
 
Entre os projetos que podem ser confirmados ainda neste ano, a maior expectativa envolve a produção de um novo carro compacto em São José dos Campos (SP), um empreendimento que é também disputado por outros dois países.
 
Em 2013, a GM finalizou um programa que demandou mais de R$ 5 bilhões em investimentos na renovação de seu portfólio de produtos no Brasil. Mary, porém, ainda não confirma uma nova fase de novos aportes no país.
 
"Não tenho investimentos específicos a realizar. Posso dizer, no entanto, que o Brasil e a América do Sul são mercados muito importantes para nós", afirmou a executiva. "O fortalecimento da marca Chevrolet é algo que desejamos continuar construindo no Brasil", disse a executiva.
 
 
*Repórter do Valor Econômico viajou a convite da Anfavea
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