São Paulo, Brasília e Rio respondem por 21% do PIB brasileiro

Há, porém, uma lenta tendência de redução da desigualdade, com as capitais perdendo participação no PIB.

Apenas três municípios foram responsáveis por um quinto do PIB brasileiro em 2011. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília geraram o equivalente a 20,6% de toda a geração de renda no País, informou, nesta terça-feira (17), o IBGE. Apesar disso, o Brasil manteve o lento movimento de desconcentração e redução da desigualdade. As capitais voltaram a perder peso no total do PIB nacional, enquanto o interior ganhou espaço, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios 2011.
 
O aumento dos preços das commodities minerais e agrícolas no mercado externo em 2011 alavancou a contribuição de municípios do interior para a geração de renda. "Quando as cidades crescem demais, começa a não ser bom negócio produzir nelas. O s aluguéis ficam mais caros, há congestionamentos e começa um processo de desconcentração", disse Leonardo Monastério, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Ele disse que já aconteceu no País muita migração de empresas e serviços para municípios vizinhos, mas ainda dentro das regiões metropolitanas. Esse foi o caso de São Paulo, ainda responsável por 11,5% de toda a renda do Brasil, mas que perdeu 0,3 ponto porcentual de participação em relação a 2010.
 
"Houve certa descentralização do comércio e de serviços em São Paulo. Há uma tendência de migração de algumas empresas da capital para os municípios que estão no entorno, principalmente por causa do Rodoanel", disse Vagner Bessa, gerente de Indicadores Econômicos da Fundação Seade.
 
São Paulo
 
O Estado de São Paulo emplacou nove municípios na lista dos 25 maiores geradores de renda do País. Além da capital, figuraram Guarulhos, Campinas, Osasco, São Bernardo do Campo, Barueri, Santos, São José dos Campos e Jundiaí, responsáveis por 18,04% do PIB nacional.
 
O resultado de 2011 teve ainda forte influência do boom das commodities. O Município de Parauapebas, no Pará, foi impulsionado pelo preço do minério de ferro. Mas foi a alta no preço do barril de petróleo que influenciou as principais mudanças no PIB daquele ano.
 
Campos de Goytacazes (RJ) teve o maior ganho absoluto de participação. Rio das Ostras (RJ), Presidente Kennedy (ES), Cabo Frio (RJ), São João da Barra (RJ) e Itapemirim (ES) também foram beneficiados.
 
 
Na direção oposta, Duque de Caxias (RJ) viu sua participação reduzida no período, porque o encarecimento do barril provocou impacto nos custos da atividade de refino na região.
 
"Quando a distribuição dos royalties mudar, alguns municípios vão perder participação no PIB. Mas a mudança só vale para os recursos do pré-sal. Só vai acontecer quando a capacidade dos poços que ainda estão em produção cair", avaliou Fernando de Holanda, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.
 
No ranking nacional de municípios mais ricos, São Paulo foi seguido por Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus.
 
"Somados os números desses seis municípios, temos um quarto da economia do País. Ou seja, com 0,1% dos municípios do País, eu tenho 25% do PIB brasileiro", notou Sheila Zani, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE.
 
O maior PIB per capita do País em 2011 foi registrado em Presidente Kennedy (ES): R$ 387.136,99 por habitante naquele ano; o menor, em Curralinho (PA), de R$ 2.462,15. No mesmo período, o PIB per capita brasileiro foi de R$ 21.535,65.
 
Por Daniela Amorim/ O Estado de S. Paulo
 
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