De carona na infraestrutura

A Painco, fornecedora de peças para máquinas de construção, aposta nos investimentos em aeroportos, portos e rodovias para elevar seu faturamento,

As últimas licitações de aeroportos e rodovias no País trouxeram um alento para a indústria de máquinas e equipamentos de construção. Somente os operadores que arremataram o terminal do Galeão, no Rio de Janeiro, e o de Confins (foto), em Minas Gerais, devem investir R$ 9,2 bilhões para melhorar a infraestrutura dos terminais. Outra obra que deve demandar grandes recursos é a BR-163. A Odebrecht, que venceu o leilão no mês passado, deve desembolsar outros R$ 4,6 bilhões ao longo dos 30 anos de contrato. 
 
“Vamos encerrar o ano com esperança de que as concessões públicas possam significar a realização e o estímulo aos investimentos”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Luiz Aubert Neto. Essa também é a esperança da Painco, que foi a vencedora do ranking setorial de As Melhores do Middle Market. A companhia é fornecedora de componentes para a indústria de máquinas de construção e tem como clientes a americana Caterpillar, a inglesa JCB, a japonesa Komatsu e a CNH, do Grupo Fiat. 
 
Por isso mesmo, para a Painco os investimentos anunciados e os últimos leilões de concessões realizados, soam como música. “O que vai nos ajudar nos próximos anos são essas obras”, diz o diretor-executivo da Painco, Antônio João Severino. Severino acredita que, em 2014, a demanda por equipamentos deverá apresentar crescimento no primeiro semestre, o que deve sustentar o mercado no ano que vem. Segundo o executivo, a Painco, baseada em Rio das Pedras, no interior de São Paulo, deverá crescer o seu faturamento em 2014 em até 7%. 
 
Neste ano, a companhia vai fechar com uma receita de R$ 400 milhões, um pouco acima do apurado em 2012, quando faturou R$ 397,4 milhões. De acordo com os dados do balanço, a empresa lucrou R$ 10,9 milhões no ano passado. “Nossa linha de produção está comprometida com as encomendas das fabricantes para até o meio do ano de 2014”, diz o executivo. “Nos próximos anos contaremos com as grandes obras.” A empresa, aparentemente, está preparada para esse aumento de demanda. Hoje, a Painco utiliza 80% de sua capacidade em dois turnos. Por ano, consome 70 mil toneladas de aço. 
 
Com isso, ela consegue produzir 55 mil toneladas de peças, que vão desde chassis para tratores e máquinas rodoviárias para compactação até caçambas. “Temos espaços para aumentar a produção”, afirma Severino. “Basta vir o mercado que contratamos pessoas. O investimento é baixo.” Nos últimos cinco anos, a Painco investiu R$ 50 milhões na expansão da fábrica de Rio das Pedras. A empresa emprega hoje cerca de 1,5 mil pessoas e trabalha em dois turnos de produção. Severino não descarta a abertura de um terceiro, mas, até agora, não foi necessário. Tudo vai depender do andamento das obras nos aeroportos, portos e rodovias do País. 
 
 
Por Ana Paula Machado/ Isto é Dinheiro



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