Falta capacidade no país para investir em infraestrutura, diz Figueiredo

Segundo ex-presidente da EPL, essa é a razão para atrasos no PIL.

De saída do cargo de presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo disse nesta terça-feira (3) que o atraso na execução do Plano de Investimento em Logística (PIL) se deve à falta de capacidade das empresas brasileiras para investir em todos os projetos previstos no pacote.
 
Uma das principais apostas da presidente Dilma Rousseff para destravar gargalos na área de transportes e aquecer a economia, o PIL foi lançado em agosto de 2012 e prevê investimentos estimados em R$ 133 bilhões na concessão de 7,5 mil quilômetros de rodovias e construção de 10 mil quilômetros de ferrovias.
 
Apesar de atrasos em relação ao cronograma original, o governo já conseguiu leiloar dois dos 9 lotes de rodovias previstos no programa e, até o fim de 2013, vai leiloar outros três. Mas os projetos ferroviários ainda não saíram do papel, foram anunciadas mudanças e ainda falta aprovação de estudos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
 
“A gente tem que observar o que está acontecendo. Não temos investidores, não temos capacidade instalada para executar um programa desse tamanho”, disse Figueiredo, durante entrevista a jornalistas em Brasília. Nesta terça, ele foi substituído no cargo de presidente da EPL pelo ex-ministro dos Transportes Paulo Passos.
 
Ele apontou que, além dos projetos do PIL, outras grandes ações de infraestrutura estão sendo tocadas no país, entre elas as concessões de aeroportos e o programa Minha Casa, Minha Vida, que demandam grandes investimentos. “Era obviamente uma coisa muito grande para o mercado [a soma dos projetos já existes com os previstos pelo PIL]”, disse Figueiredo.
 
Para ele, a solução para dar andamento aos projetos necessários ao país, em uma velocidade compatível com os planos do governo, é a chegada de investidores estrangeiros. Segundo Figueiredo, há empresas de fora interessadas em obras como a das ferrovias e elas devem começar a participar dos leilões em 2014.
 
“Temos muitas ações andando ao mesmo tempo no Brasil e o país precisa ampliar sua capacidade de investimento. A forma de fazer isso é trazer investidor estrangeiro, trazer capacidade de fora. O mundo tem capacidade sobrando”, completou.
 
Por Fábio Amato/ G1
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