Venda de carros devem ter primeira queda em dez anos

Resultado fraco de novembro, o pior desde março, leva montadoras a preverem queda de até 1,8% em relação a 2012.

Com 302,9 mil veículos vendidos, novembro teve o pior resultado do ano para a indústria automobilística desde março, quando as vendas somaram 283,9 mil unidades. Nos 11 meses, o setor acumula queda de 0,84% nos licenciamentos, com 3,413 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
 
Diante desse resultado, a indústria trabalha com expectativa de registrar a primeira queda em vendas em dez anos. A última vez que o setor teve resultado negativo em relação ao ano anterior foi em 2003. Para 2014, a previsão é de estabilidade.
 
Empresas do setor refizeram as contas e trabalham com números próximos a 3,73 milhões de unidades no fechamento do ano, 1,8% (ou 70 mil carros) a menos que o recorde de 2012, de 3,8 milhões de unidades. Até o mês passado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apostava em alta de 1% a 2%.
 
Para atingir a menor meta, as montadoras teriam de vender 426,5 mil veículos neste mês, número jamais atingido. O recorde é de agosto do ano passado, com 420,1 mil unidades. Pelas contas de algumas montadoras, o volume em dezembro não deve passar de 320 mil veículos.
 
Para atingi-lo, as empresas iniciam nos próximos dias campanhas anunciando que este é o último mês antes da alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
 
Reduzida desde maio de 2012, a alíquota será reajustada em janeiro, ainda que parcialmente. Segundo a Anfavea, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu "pequeno reajuste no IPI", mas o porcentual está sendo avaliado.
 
Se fosse cumprindo o cronograma antes previsto pelo governo, o IPI dos carros 1.0 subiria de 2% para 7%. Nos modelos flex acima de 1.0 a 2.0 a alíquota sairia de 7% para 11% e, naqueles a gasolina, de 8% para 13%.
 
O segmento de automóveis e comerciais leves, beneficiado pelo IPI menor, acumula queda de vendas de 1,5% no ano, com 3,240 milhões de unidades, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
 
Descontos. "Muita gente deixou para comprar neste mês, porque espera mais descontos e porque terá o 13o salário integral nas mãos", avalia o diretor da consultoria ADK, Paulo Roberto Garbossa. "Na minha opinião, o mercado no mínimo terá um empate técnico com 2012."
 
O resultado de novembro ficou 8,2% abaixo do de outubro e 2,8% menor que o de um ano atrás. Novembro teve 20 dias úteis e outubro, 22. "Se tivéssemos tido 22 dias úteis em ambos os meses, o mercado teria crescido 3%. Assim, o resultado pode ser considerado positivo", avalia o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti.
 
No ano, a Fiat segue como líder em vendas, com 21,5% de participação, seguida por Volkswagen, com 18,6% e General Motors, com 18,1%. A Ford mantém a quarta posição, com 9,3%.
 
Os modelos mais vendidos no período são Gol (230,2 mil unidades), Uno (171,2 mil), Palio (162,6 mil), Fiesta (120,4 mil) e Fox (118 mil).
 
O segmento de motocicletas teve retração de 1% em novembro ante outubro, com 122,2 mil unidades. No ano, a queda é de 8,3% -1,375 milhão de motos.
 
Por Cleíde Silva/ Estado de S. Paulo



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