EUA agravam situação de emergentes, diz OCDE

Para organização, política monetária americana tem desacelerado ainda mais a economia dos países emergentes.

A desaceleração da economia dos grandes países emergentes é potencializada pela mudança da política monetária nos Estados Unidos. A avaliação é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade que reúne os principais países desenvolvidos do planeta.
 
Alguns dos grandes emergentes como a Rússia, índia, Turquia e Brasil, que já amargavam desaceleração da atividade, agora também sofrem com os efeitos da turbulência gerada pela perspectiva de retirada de estímulos monetários na maior economia do mundo, diz a OCDE.
 
Ao apresentar a pesquisa Economic Outlook, o secretário-geral da instituição, Angel Gurría, destacou que "o motor dos grandes emergentes desacelerou". "A China vai crescer algo em torno de 7% a 7,5%. E outros países estão ainda mais fracos. Não é surpresa que isso também influencie a economia mundial", disse, na apresentação.
 
Em seguida, o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, explicou que a perspectiva de retirada dos estímulos monetários nos EUA potencializa problemas de alguns emergentes. "Países com maiores déficits em conta corrente são os mais afetados. Isso se junta aos problemas já existentes de crescimento. Como resultado, muitos desses países estão avançando menos que o esperado", disse. Para reagir à situação, o economista sugere "que medidas estruturais precisam ser tomadas para deixar esses países mais fortes".
 
Apesar da avaliação cautelosa com os emergentes, Gurría fez uma análise relativamente otimista do cenário de médio e longo prazo para a economia global. "A recuperação começa a aparecer, mas em uma velocidade baixa e pode haver turbulências no horizonte. Há o risco de que a retirada de estímulos nos Estados Unidos possa trazer nova onda de instabilidade. A saída das políticas monetárias não convencionais será um desafio", resumiu.
 
Durante a apresentação, o economista-chefe da OCDE comentou que a retirada dos estímulos nos Estados Unidos compõe uma "nova fonte de estresse". "Os mercados estão extremamente sensíveis, muito mais do que a média histórica. Esse é um legado da crise financeira de 2008."
 
Avaliação
 
Após o crescimento de menos de 1% no ano passado, a economia brasileira começa a dar sinais de melhora, segundo a OCDE. Em relatório, a entidade afirma que o País "começa a emergir de um período de crescimento lento e a expansão está em andamento.
 
Por Fernando Nakagawa/ O Estado de S. Paulo
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