Pirelli prevê investir no Brasil R$ 1 bi até 2017

Empresa pretende expandir rede de revendedores no País.

Investir R$ 1 bilhão até 2017, expandir a rede de revendedores e apostar no crescimento do mercado de pneus premium. Essa é a receita da Pirelli para o Brasil, que responde pela maior parte dos resultados da companhia na América Latina - a empresa não abre o tamanho do país dentro do continente.
 
No terceiro trimestre, a América Latina respondeu por 36% das vendas líquidas da Pirelli em todo o mundo e os planos da empresa para o Brasil começam com a rede de revendedores. Atualmente, a companhia tem 130 pontos de venda próprios no Brasil, dentro de um total de 600 que vendem exclusivamente pneus da companhia. Outros 1.000 revendedores são franqueados e negociam também pneus de outras marcas.
 
Paolo Dal Pino, presidente executivo da Pirelli para a América do Sul, explica que a meta da companhia é atingir 150 lojas próprias - dentro de um universo de 750 revendedores exclusivos - e 1.500 franqueados não exclusivos em 2017. "Esse crescimento é orgânico, não temos planos de aquisição", afirma Dal Pino, lembrando que em agosto a companhia italiana anunciou a fusão do negócio de distribuição de pneus com o grupo Comolatti, que agregou 29 unidades à rede da Pirelli.
 
Os investimentos de R$ 1 bilhão até 2017 devem garantir à companhia um aumento de receita e melhora no mix de produtos sem a necessidade de novas fábricas. Os recursos significarão a compra de maquinário mais moderno, capaz de elevar a produção de pneus do setor premium, que engloba pneus acima de 17 polegadas e que tem mais tecnologia e garante melhor performance ao veículo - e mais rentabilidade ao fabricante. A projeção da Pirelli é elevar em 8% a capacidade no Brasil sem precisar construir novas fábricas.
 
Um exemplo de como a empresa deve aumentar a sua oferta no país sem investir em novas unidades é a fábrica em Feira de Santana (BA), que vai destinar mais 1,5 milhão de pneus no mercado interno, que antes eram destinados aos Estados Unidos. A mudança acontece porque uma nova unidade no México vai abastecer o mercado americano, se beneficiando dos acordos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).
 
Uma vantagem adicional é que, segundo Dal Pino, quase toda a produção de Feira de Santana é de pneus de alta performance.
 
O plano da Pirelli para o Brasil e a América Latina é ambicioso. Embora Dal Pino admita que a fatia de mercado da empresa no país deva cair, passando de 45% a 50% este ano para 40% a 50%, devido à entrada de novos concorrentes - a Sumitomo já anunciou uma nova fábrica em São Paulo - a fabricante italiana projeta um aumento da receita entre 5% e 6% anualmente, em dólar, até um limite de R$ 2,45 no câmbio no Brasil. "Teremos de deixar alguma parte do mercado para os outros", diz Dal Pino. "Mas vamos crescer o resultado e manter a liderança", acrescenta.
 
Exemplificando em números o otimismo do executivo, o mercado premium no continente atualmente é de 2,7 milhões de pneus, pouco mais de 5% do total. Em 2017, a expectativa é de um salto para 9% do mercado, para 5,4 milhões de unidades. O crescimento esperado pela companhia para o setor premium no continente é cinco vezes a velocidade verificada no mercado de pneus não-premium.
 
Dal Pino é otimista mesmo com as dificuldades vistas na região, como o impacto previsto de US$ 200 milhões por conta do câmbio este ano nas operações da América Latina. O câmbio desvalorizado, segundo ele, tem impacto direto nos preços das matérias-primas. (O repórter viajou a convite da Pirelli)
 
Por Leo Pinheiro/ Valor Econômico
 
 
 
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