Emprego industrial recua pela quarta vez seguida

No ano, o indicador registra queda de 0,8% no número de trabalhadores em comparação ao mesmo período de 2012.

Com uma sucessão de quatro quedas mensais, o indicador de emprego industrial recuou o,6% de julho para agosto. Foi o pior resultado desde abril de 2009 (-0,7%). O saldo acompanha a desaceleração na produção observada 110 terceiro trimestre e anula, sozinho, a única taxa positiva de 2013 (0,2%, em março ante fevereiro).

No acumulado do ano, a retração no emprego chega a 0,8% em relação a igual período de 2012, divulgou ontem o instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A redução no dinamismo da indústria é verificada desde maio. Segundo o IBGE, o emprego cresceu 0,2% de janeiro a abril. Nos quatro meses seguintes, contudo, houve inversão na tendência para queda acumulada de 1,3%. Em nota, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (ledi) classificou o resultado de agosto como "um dos piores meses para o emprego na história nacional".

O resultado, porém, já era esperado, segundo o economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências. "O terceiro trimestre apresenta arrefecimento na produção, com alguns setores estocados. Isso contribui para queda no emprego", observou.

Para o ledi, os números mostram que o desempenho da indústria continua "sofrível", fazendo cair por terra expectativas de crescimento mais consistente no segundo semestre.

Para o economista Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/ FGV), a indústria passa por um processo de encolhimento.

Além disso, a relutância do setor em demitir nos anos de 2011 e 2012 começa a ser vencida pela ausência de respostas mais favoráveis na produção, que se mantém errática.

Moura lembrou também que nem mesmo desonerações estímulos do governo conseguiram ajudar a indústria a superar fatores como expansão do setor de serviços, elevação do custo de mão de obra, carência de qualificação e perda de competitividade.

Com expectativa de retomada na indústria, Bacciotti prevê que o emprego não continuará se deteriorando na mesma magnitude nos próximos meses. “A gente não espera que o emprego se recupere na mesma proporção (da produção). O indicador não deve mostrar quedas tão fortes, mas também não deve surpreender para cima", afirmou. Moura, por sua vez, prevê novas reduções no emprego industrial "A tendência é continuar encolhendo", avaliou.

Queda generalizada

Em relação a igual mês do ano anterior, o indicador de emprego caiu 1,3%. Esta foi a 23a queda consecutiva nesse tipo de comparação, sendo que o último dado positivo foi registrado em setembro de 2011. Desde então, o recuo no emprego industrial acumulado até agosto de 2013, na série com ajuste, é de 2,9%, segundo cálculo do IBGE. Até julho, a mesma conta havia apontado retração de 2,3%.

O desempenho fraco foi generalizado. Dentre todas as 14 regiões pesquisadas, apenas Santa Catarina expandiu o contingente de assalariados no setor em agosto (0,9%, em relação a igual mês de 2012). Entre os setores, o resultado foi igualmente ruim, com queda em 13 dos 18 ramos pesquisados.

As atividades mais intensivas em mão de obra lideraram as quedas. A indústria de calçados e couro teve retração de 4,7% 110 emprego em relação a agosto de 2012. Segundo o economista Rodrigo Lobo, da coordenação de Indústria do IBGE, esse resultado puxou a redução no emprego no Nordeste (-7,5% ante agosto de 2012), uma vez que a região concentra as fábricas desse setor.

Por Idiana Tomazelli/ O Estado de S. Paulo

 

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