Brasil oferece presidência para Paraguai voltar ao Mercosul

Brasil oferece a Paraguai presidência do Mercosul para reintegrá-lo ao bloco.

A presidente Dilma Rousseff propôs ao colega Horacio Cartes que o Paraguai assuma a presidência temporária do Mercosul a partir de dezembro, como forma de o país retomar ao bloco antes do fim do ano. O objetivo é que Cartes apresente a proposta em seu país sem que pareça que está recuando politicamente. Segundo um diplomata brasileiro com acesso às negociações, o gesto "pegou muito bem" entre os paraguaios.
 
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Plano é persuadir demais sócios regionais a aceitar um acordo que tornaria mais fácil a tarefa do presidente Horacio Cartes -que ontem esteve com Dilma Rousseff em Brasília - de convencer setores da política doméstica que resistem à reincorporação do país
 
Brasília
 
O Brasil ofereceu ao presidente do Paraguai, Horacio Cartes, a presidência temporária do Mercosul a partir de dezembro como forma de o país retomar ao bloco antes do fim do ano. A proposta, apresentada pela presidente Dilma Rousseff ontem, durante a visita de Estado, tem como objetivo oferecer ao paraguaio um gesto político que possa apresentar ao seu país sem que seu retomo pareça um recuo político.
 
Um ministro próximo a Cartes afirmou nesta segunda-feira (30) que está sendo organizado o retomo do Paraguai ao bloco antes do final do ano, para que em dezembro o país possa já assumir a presidência, durante reunião em Caracas, na Venezuela. Segundo ele, o gesto do bloco pode parecer simbólico, mas é importante para o presidente paraguaio apresentar ao seu público interno.
 
O governo brasileiro sabe disso e tem se esforçado para apresentar um pacote palatável a Cartes. Em Paramaribo, durante a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Dilma tomou para si a tarefa de reaproximar Venezuela e Paraguai e reunir Cartes e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Foi quando Maduro prometeu também a indicação de um novo embaixador para Assunção o mais breve possível - outro gesto que agradou a Cartes. De acordo com um diplomata brasileiro com acesso às negociações, o gesto de Dilma, de negociar a aproximação, "pegou muito bem" entre os paraguaios.
 
A intenção brasileira, no entanto, ainda está em negociação com o restante dos membros do Mercosul. A tendência da Venezuela, hoje presidente do bloco, é não reclamar. Os venezuelanos, principal causa de atrito com o Paraguai, querem resolver logo o problema de sua entrada no Mercosul e ainda precisam da aprovação do Congresso paraguaio, que Cartes terá de negociar em casa. Os uruguaios podem resistir, mas não devem impedir um acordo. O maior problema pode ser a Argentina, que perderia a vez de presidir o bloco para o Paraguai.
 
Na segunda-feira (30), durante a primeira visita de Estado de Cartes ao Brasil, Dilma fez questão de repetir várias vezes a importância da volta do Paraguai ao bloco. "O Paraguai está em processo de volta ao Mercosul, tem o tempo deles, está no processo deles de retorno. O Brasil tem todo o interesse nessa volta e também no fato de que a nossa relação bilateral, como vocês podem ver, nós mantivemos intacta", afirmou, após terminar o encontro com Cartes. Por sua vez, o paraguaio Cartes reafirmou o interesse nas relações com os vizinhos, especialmente o Brasil, mas não mencionou o Mercosul durante o encontro com Dilma. "Sabemos que temos atrativos para uma integração física", disse Cartes, em relação a projetos conjuntos com o Brasil "O Paraguai não quer esmola nem favores, mas sim quer sentar-se à mesa grande."
 
Mais tarde, no Senado, Cartes disse que pretende ver o Paraguai de volta ao bloco "o mais rápido possível".
 
A presidência do Mercosul foi definida na formação do bloco, há 22 anos. É rotativa, a cada seis meses, e em ordem alfabética: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai - e agora Venezuela. A única quebra ocorreu em 2012, com a suspensão do Paraguai, em razão do processo sumário, de 24 horas, que resultou no impeachment do presidente Fernando Lugo. No entender dos membros do bloco, a destituição feriu a Cláusula Democrática do Mercosul./Colaborou T.M
 
Por Lisandra Paraguassu/ O Estado de S. Paulo

 

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