Economias do G-20 precisam reduzir mais os desequilíbrios, diz FMI

Apesar da melhora nos últimos anos, Fundo vê desequilíbrios ‘relativamente grandes’ em oito países do grupo, além da zona do euro.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, 13, após a reunião do G-20 na semana passada, que a situação dos países do grupo melhorou nos últimos anos, mas ainda é preciso reduzir mais os desequilíbrios.
 
Segundo o Fundo, as melhoras nos desempenhos orçamentários de importantes economias desenvolvidas em alguns casos se devem a fatores temporários e, em outros, essa situação pode se reverter se existirem pequenas mudanças nos cenários econômicos. "Apesar dos consideráveis esforços de consolidação, os déficits fiscais em economias avançadas continuam altos e precisam ser reduzidos. Os desequilíbrios no setor público continuam grandes, parcialmente em função do lento crescimento e da fragilidade do setor bancário".
 
Oito países do G-20, além da zona do euro, foram identificados com desequilíbrios "relativamente grandes" no médio prazo, tendo como base as definições do grupo. São eles: China, zona do euro, França, Alemanha, Índia, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.
 
Em relação aos EUA, o FMI diz que o impasse sobre a elevação do teto da dívida pode restringir o crescimento econômico. "Os EUA precisam de novas receitas e reformas de longo prazo nos programas sociais. A política fiscal precisa estar mais ligada ao ritmo da recuperação", afirma o texto. "O desafio é restaurar a sustentabilidade fiscal no longo prazo ao resolver gargalos estruturais importantes, e ao mesmo tempo manter o ritmo (e a qualidade) do ajuste de maneira a não colocar em risco a recuperação e o crescimento".
 
No caso da China, o FMI alertou que as vulnerabilidades do país estão crescendo, em função do alto nível de investimentos e do baixo consumo. De acordo com a instituição, a reforma no setor financeiro chinês é uma "prioridade urgente" para resolver riscos. "Não acelerar as reformas na China provocaria um círculo vicioso negativo", afirma o comunicado.
 
"O crescimento da China se tornou muito dependente dos investimentos e de um crescimento insustentável no crédito, elevando as vulnerabilidades domésticas. Uma fracasso em alterar esse curso e acelerar as reformas aumentaria a probabilidade de um acidente ou choque, que poderia desencadear uma ligação adversa entre o setor financeiro e a economia real. Ao mesmo tempo, uma queda significativa nos investimentos, sem um aumento simultâneo no consumo, elevaria sensivelmente o superávit externo", afirma o FMI. Segundo o Fundo, o yuan continua moderadamente subvalorizado.
 
Na zona do euro, o FMI afirma que a estagnação econômica piorou as dinâmicas de dívida e sugere que o Banco Central Europeu (BCE) poderia implementar mais medidas de liquidez para garantir o financiamento para os bancos. "A zona do euro enfrenta o risco de uma estagnação prolongada", alerta. "A prioridade deveria ser limpar e reparar os balanços patrimoniais dos bancos, empresas e famílias, para estabelecer as condições de uma recuperação do crescimento do crédito e da atividade".
 
EUA
 
O FMI também afirmou que o ambiente de taxas de juros muito baixas nos EUA por um período prolongado gera riscos financeiros, e já começam a existir sinais de que esses riscos estão aumentando.
 
"Com a atual consolidação fiscal e uma forte dependência da política monetária, um período prolongado de taxas de juros baixas carrega o risco de incentivos distorcidos e uma busca por retornos que pode desencadear novos excessos financeiros. ... Já existem algumas evidências de que os riscos podem estar se acumulando no setor não bancário, com sinais incipientes de condições excessivamente frouxas em alguns mercados corporativos", diz o Fundo no relatório intitulado "Cuidado com o rombo: reduzindo desequilíbrios e mantendo o crescimento", que atualiza as avaliações sobre a sustentabilidade da economias do G-20.
 
Segundo o FMI, se esses excessos financeiros não forem resolvidos eles podem reduzir a poupança privada e elevar os desequilíbrios externos no futuro. Para a instituição, as incertezas sobre a retirada dos estímulos monetários também podem ter implicações para a volatilidade financeira, incluindo o mercado de Treasuries.
 
Por Álvaro Campos/ Agência Estado/ Fonte: Market News International

Tópicos: