IGP-M desacelera e fecha julho com alta de 0,26%

Recuo em relação a junho foi provocado pela desaceleração no atacado e pela queda nos preços de alimentos e transportes.

O Índice Geral de Preços  Mercado (IGP-M), medido  pela Fundação Getulio Vargas (FGV), desacelerou este  mês. O índice, que é referência para reajuste de contratos como aluguéis e energia elétrica, fecha o mês com alta de 0,26%, ante um aumento de 0,75% em junho. O recuo foi provocado principalmente pela desaceleração do atacado e pelo recuo dos preços de alimentos e transportes no varejo.
 
Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação dos preços no atacado e tem peso de 60% no indicador final, recuou de 0,68% em junho para 0,30%. O índice de Preços ao Consumidor (IPG), focado no varejo e com peso dc 30% no indicador final, passou de 0,39% para -0,07%. E o índice Nacional da Construção Civil (INCC), com peso de 10%, recuou de 1,96% para 0,73%. A variação acumulada do IGP-M em 2013 é de 2,01%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses, até julho, é de 5,18%.
 
O economista da FGV André Braz afirmou que o IGP-M de agosto deve mostrar uma taxa multo próxima da observada em julho. “Este mês, tivemos uma desaceleração mais do que generalizada, conduzida pelos três subíndices do IGP-M”, disse. “Em agosto, a inflação deve continuar num patamar parecido.”
 
Para Braz, é importante que o indicador continue parecido entre julho e agosto porque variações comportadas mensais ajudam no acumulado de 12 meses. Entre junho e julho, a taxa de inflação nesse tipo de comparação caiu de 6,31% para 5,18%. Como agosto de 2012 contou com uma taxa mensal bastante eleva-la, de 1,43%, e a expectativa de Braz é um número parecido com o dejulho, há grandes chances de uma nova desaceleração em 12 meses.
 
O economista considerou “bem discreto” o efeito que a alta recente do dólar em relação ao real tem gerado no IGP-M. Segundo ele, os preços apurados têm tido outros impactos bem mais decisivos do que o câmbio.
 
“Há itens que até não têm como desviar desses efeitos, mas há grandes commodities que estão atualmente sendo nortea-das por outros comportamentos, como safras mais robustas de grãos e a queda da atividade econômica em países altamente industrializados, como a China”, disse Braz. “Há então outras questões, que, ponderadas junto com o câmbio, esvaziam o efeito dele nos índices.”
 
O economista usou como base a variação média do dólar entre os períodos de coleta do IGP-M, que leva em conta os preços entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. Entre a divulgação do IGP-M de junho e o indicador de julho, o dólar médio passou de R$ 2,12 para R$ 2,24, gerando, segundo Braz, uma elevação de 5,66% no período.
 
“A questão do câmbio tem sido menor e eu acredito que isso é uma tendência que deve se sustentar, a exemplo do que vem acontecendo em outras economias”, comentou. “O pass-through (repasse) vai diminuindo ao longo do tempo e acho que isso, apesar de eu não ter feito um trabalho econométrico robusto, é uma percepção que vem se consolidando, na medida em que essas desvalorizações têm, cada vez mais, impactos modestos nos índices de
inflação.”
 
Para o economista, os 5,66% de variação podem até chegar aos preços de uma maneira atrasada, no IGP-M de agosto, mas sem grande intensidade. “Não deve mudar o referencial que temos para o próximo mês.
 
Por Flamo Leonel e Renan Carreira/ O Estado de S. Paulo
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