Dólar tem a maior alta em mais de quatro anos

Investidores intensificam compras antes da reunião do banco central dos EUA.

A expectativa em relação à reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e notícias negativas sobre os rumos da economia chinesa causaram mais um dia de perdas no mercado financeiro. Na Bolsa, o Ibovespa, índice de referência do mercado, recuou 1,32%, aos 48.561 pontos e volume negociado de R$ 6,3 bilhões. Foi a maior queda desde o dia 12 de julho, quando o índice recuou 2,34%. No mercado de câmbio, não houve intervenção do Banco Central para frear a escalada da moeda americana. O dólar encerrou os negócios na maior alta em mais de quatro anos, com valorização de 0,44%, negociado a R$ 2,28. É o maior patamar desde 31 de março de 2009, quando a divisa havia encerrado o pregão cotada a R$ 2,318.
 
Para o especialista em câmbio da Icap Brasil, Ítalo Abucater, a saída de recursos tanto financeiros quando no fluxo comercial do país continua pressionando o dólar. Além disso, com a aproximação do fim do mês cresce a pressão sobre a moeda americana para a formação da Ptax, a taxa média do dólar utilizada para a liquidação dos contratos. Investidores que estão comprados na moeda americana, apostando na valorização do dólar no mercado futuro, intensificam as compras, o que pressiona ainda mais a moeda americana, que tem valorização de 2,15% em julho. No exterior, o dólar também avançou frente a divisas de países emergentes.
 
"O BC pode atuar para atenuar um pouco a valorização, mas a tendência é de alta", disse Abucater. 
 
O encontro dos membros do Fed que começou nesta terça-feira (30) e termina hoje (31) também aumentou a aversão ao risco e fez os investidores buscarem refúgio no dólar. Embora o Fed deva manter a taxa básica de juros nos EUA entre zero e 0,25% ao ano, como aconteceu nas últimas reuniões, o mercado espera sinais sobre uma possível redução do programa de estímulo à economia dos EUA.
 
A China também contribuiu para o mau humor dos investidores. Um relatório da agência de classificação de risco Standard & Poor"s estima que a economia chinesa crescerá 7,3% e que o governo estaria satisfeito com este patamar.
 
Os papéis PNA da Vale perderam 1,86%, a R$ 28,46. O efeito China também afetou as ações ON da Usiminas, que caíram 6,25%, a R$ 9,00, e as ações ON da Siderúrgica Nacional, que se desvalorizaram 5,92%, a R$ 6,67. A queda desses papéis também pesou sobre o Ibovespa. Entre as principais ações do índice, os papéis PN da Petrobras tiveram queda de 1,31%, a R$ 16,47 e as ações ON da OGX Petróleo terminaram estáveis a R$ 0,65.
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