BC intervém, mas dólar sobe e fecha a R$ 2,27

Alta de 0,44% leva divisa ao maior patamar desde 1º de abril de 2009


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Mesmo com nova intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, o dólar comercial fechou ontem com alta de 0,44% frente ao real, encerrando a R$ 2,271 na compra e R$ 2,273 na venda, o maior nível desde 1º de abril de 2009. O BC decidiu intervir após o dólar voltar ao patamar de R$ 2,281 na cotação máxima do dia.
 
O BC negociou US$ 1,47 bilhão em contratos de swap cambial tradicional, operação que equivale à venda de moeda americana no mercado futuro. Foram vendidos 29,7 mil contratos, de uma oferta de US$ 1,5 bilhão.
 
De acordo com Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operação do Banco Confidence, com a intervenção feita ontem, o BC sinalizou que não quer a moeda americana acima de R$ 2,28.
 
"Hoje (ontem, 10) não existia razão para alta tão forte do dólar. A expectativa é (era) de elevação da Selic, que ajuda a derrubar a cotação da moeda americana, e no exterior também não havia fato que justificasse a valorização da divisa", disse Pellegrini.
 
Um dos fatores de pressão sobre o dólar no mercado doméstico, segundo operadores, é a retirada divisa feita por fundos estrangeiros. O fluxo cambial registrou saldo negativo de US$ 780 milhões na última semana, resultado de um superávit de US$ 582 milhões na conta comercial e de um déficit de US$ 1,362 bilhão na conta financeira. No ano, entretanto, o fluxo cambial ainda está positivo em US$ 8,754 bilhões.
 
A saída de dólares superou a entrada da moeda no Brasil em US$ 2,636 bilhões em junho, segundo o BC. Ficaram negativas tanto as operações comerciais, em US$ 1,865 bilhão, quanto as realizadas no segmento financeiro, em US$ 771 milhões. A conta comercial registrou US$ 16,452 bilhões em exportações, enquanto as importações somaram US$ 18,317 bilhões. Já o fluxo financeiro teve compra de US$ 51,528 bilhões e venda de US$ 52,299 bilhões.
 
Juros futuros avançam
 
No mercado de juros futuros, as taxas mais curtas subiram refletindo a expectativa, ao longo do dia, de alta da Selic. Já os contratos mais longos caíram, depois da divulgação da ata do Fed (o BC americano), com a sinalização que os estímulos só serão retirados quando o mercado de trabalho se recuperar.
 
O DI para janeiro de 2014 teve taxa de 8,80%, ante 8,78% de segunda-feira. O papel com vencimento para janeiro de 2015 tinha taxa de 9,52%, ante 9,58%. O de janeiro de 2017 caiu a 10,82%, contra 10,87%, e o DI para janeiro de 2021 saiu de 11,33% para 11,26%.
 
Por João Sorima Neto/ O Globo
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