Itatiaia e Guaíba brigam pela fábrica de caminhões da Foton Aumark

Definição do local sai até 9 de julho, data em que montadora apresentará projeto ao MDIC.

A Foton Aumark está cada vez mais perto de definir o local de sua fábrica no Brasil. A montadora chinesa, que tem à sua frente o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, está entre as cidades de Itatiaia, no Rio de Janeiro, e Guaíba, no Rio Grande do Sul.
 
“O que vai definir o local serão os incentivos oferecidos pelas localidades. Vamos resolver isso em breve, pois temos reunião marcada no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) no dia 9 de julho para apresentar todo o projeto. Estamos correndo contra o tempo”, disse o executivo. 
 
No início de junho o presidente mundial da Beiqi Foton Motor Company, Wang Jinyu, e o presidente da Foton Aumark do Brasil assinaram acordo de cooperação internacional para a construção da planta da fabricante de caminhões no Brasil. 
 
O projeto inicial foi totalmente revisto pelas empresas. Isso porque os executivos chineses e brasileiros identificaram potencial maior do mercado nacional e agora a planta vai produzir uma linha completa de caminhões, desde os semileves até os extrapesados.
 
Com isso, o investimento R$ 200 milhões previsto anteriormente foi revisto e a montadora vai aplicar R$ 250 milhões no Brasil. “Essa reformulação fez o nosso projeto ganhar corpo e com isso tivemos de aumentar os investimentos iniciais”, disse recentemente o vice-presidente da Foton Aumark, Orlando Merluzzi. 
 
A unidade brasileira entrará em operação no fim de 2015. Na primeira fase do projeto, a fábrica terá capacidade para produzir 21 mil caminhões por ano. Segundo o executivo, nessa etapa serão montados aqui no país veículos das categorias semileve a médio. 
 
Em 2018, o projeto prevê o aumento da capacidade produtiva e início da montagem dos caminhões mais pesados. Nessa segunda fase, a montadora vai poder fabricar 50 mil veículos/ano. Pelos estudos da Foton, a fábrica vai contar também com um condomínio de fornecedores para abastecer a linha de montagem. De acordo com o projeto, primeiro a montadora contará com fabricantes de autopeças nacionais e depois poderá intermediar a vinda de empresas chinesas para integrar o condomínio.
 
Por enquanto, a única parceira confirmada é a Cummins. Assim como já acontece na China, a fabricante de motores diesel vai fornecer blocos e componentes para toda linha de caminhões da companhia, além de assistência técnica em todo território nacional para os veículos da marca.
 
“Vamos ser uma fábrica completa, não vamos montar em regime de CKD. Até porque o Inovar-Auto não beneficia aquele fabricante que escolher essa modalidade de produção”, disse Merluzzi. “As novas regras são extremamente importantes para que o projeto se concretize. Precisamos definir a questão da fábrica para sermos beneficiados com as cotas de importação na produção”.
 
Pelo Inovar-Auto, as novas fabricantes podem importar cota de até 25% da capacidade produtiva sem a penalidade dos 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A empresa pode ainda pagar o IPI majorado para trazer do exterior volume correspondente a outros 25% da capacidade produtiva da futura fábrica. Nesse caso, quando a planta entrar em operação, a companhia poderá recuperar até 35% do tributo adicional pago.
 
Por Ana Paula Machado/ Automotive Business



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