Automação acelera ritmo de operações em terminal

Os portos e terminais brasileiros estão recorrendo cada vez mais à tecnologia.

Os portos e terminais brasileiros estão recorrendo cada vez mais à tecnologia. O emprego intensivo desses recursos se dá nos empreendimentos mais novos, onde os investimentos já preveem nível elevado de automação. No Porto do Pecém, por exemplo, são várias as tecnologias empregadas, e a operação de minério é totalmente automatizada.
 
A esteira transportadora tubular, instalada em 2011, tem capacidade de transferência de 2,4 mil ton/hora de carvão mineral e seis km de extensão até o ponto de compartilhamento com as empresas usuárias, no caso a MPX, empresa de energia do Grupo EBX. Já o descarregador de minérios permite o escoamento contínuo de minérios de navios, utilizado para a descarga de carvão, com produtividade de 2,4 mil ton/hora.
 
Na inspeção, scanners permitem a verificação não invasiva de 70 contêineres de 40 polegadas por hora, facilitando a liberação de carga por parte da Receita Federal. Segundo Waldir da Frota Sampaio, diretor de infraestrutura e desenvolvimento do Porto do Pecém, estão sendo adquiridos ainda dois STS Cranes, guindastes de pórtico que farão a transferência de contêineres píer-navio/navio-píer.
 
"A aplicação desses equipamentos a partir de 2014 permitirá sairmos dos atuais 25 movimentos/hora para 40 movimentos/hora e trabalhar com navios de maior largura", observa. Também serão automatizados os "gates" com a instalação de OCRs (Optical Cheracter Recognition), leitores de rádio frequência e biometria para reconhecimento de pessoas. Isso reduzirá o tempo de acesso dos atuais quatro a cinco minutos por veículo para menos de 50 segundos. As tecnologias já estão em uso nos terminais da Embraport, Santos Brasil e BTP, no Porto de Santos. O terminal da Embraport, que inicia a operação nos próximos dias, é totalmente automatizado com agendamento on-line de cargas e controles eletrônicos de acesso.
 
Assim que chega, o caminhoneiro é identificado biometricamente - já foram cadastrados 2 mil motoristas -, e o veículo tem a placa e o número do contêiner reconhecidos por meio de um portal OCR. "Ao chegar ao gate, o sistema imprime o tíquete com a localização de onde ele vai carregar ou descarregar o contêiner, que será inspecionado por um scanner", diz Helder Coppi, gerente de tecnologia da informação da Embraport.
 
O terminal da Santos Brasil utiliza agendamento eletrônico de carga, OCR para leitura de placas de veículos e números de contêineres, e scanners para inspeção. Mas a maior inovação é nos portais onde os guindastes Transteiner RTG (Rubber tyred Gantry) os únicos no país e, possivelmente, no mundo que fazem pesagem automática dos contêineres. "Desenvolvemos as balanças e isso permite dispensar a pesagem rodoviária dos contêineres de importação, reduzindo o tempo de 20 para oito minutos", diz Mauro Salgado, diretor comercial da Santos Brasil.
 
O mais eficiente terminal de produtos florestais do mundo, o terminal especializado da Portocel - investimento dos grupos Fibria (51%) e Cenibra (49%), no Norte do Espírito Santo -, é responsável por 70% da exportação de celulose no país, o equivalente a 7,5 milhões de ton/ano. Segundo Patrícia Lascosque, superintendente do Portocel, o terminal bate todos os recordes de produtividade operando com 37 mil toneladas/dia, frente a 14 mil toneladas do melhor porto dos EUA e 18 mil de portos da Europa. Por trás da eficiência está um sistema para planejamento de todas as operações de embarque e desembarque. "A tecnologia ajuda, mas o principal é o fator humano."
 
Por Carmen Nery/ Valor Econômico
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