MAN vai exportar caminhões extrapesados à Argentina

O objetivo do grupo é dobrar para perto de 30% sua participação de mercado no país vizinho em um prazo de três a cinco anos.

A MAN vai entrar no mercado de caminhões extrapesados argentino com veículos produzidos na fábrica da montadora em Resende, no sul do Rio de Janeiro. O objetivo do grupo é dobrar para perto de 30% sua participação de mercado no país vizinho em um prazo de três a cinco anos.
 
Dois modelos que estão sendo introduzidos na Argentina serão apresentados nesta quarta-feira (19) à imprensa que acompanha o Salão do Automóvel de Buenos Aires. O TGX, capaz de carregar até 73 toneladas, e um Constellation, cuja carga pode chegar a 57 toneladas, serão expostos durante o evento juntos com um ônibus que vai transportar a seleção argentina de futebol em partidas locais.
 
Roberto Cortes, presidente da MAN na América Latina, diz que as exportações do Constellation ao país vizinho começam "imediatamente". Já o TGX - modelo que marcou, há um ano, a estreia dos caminhões da MAN no Brasil - terá na Argentina seu primeiro mercado de exportação, com início das vendas previsto para o segundo semestre. Ambos chegam equipados com motores Euro 5, menos poluentes para atender à nova legislação de emissões, que deve entrar em vigor no ano que vem na Argentina.
 
Segundo o executivo, a montadora tem a expectativa de aumentar em 500 caminhões, para 2,5 mil unidades, as exportações ao país. A Volkswagen vende caminhões no mercado argentino há quinze anos. Na área de veículos pesados, a marca teve há cerca de quatro anos o controle assumido pela MAN no Brasil.
 
No Chile e no México, caminhões da MAN são importados da Alemanha, mas Cortes diz que a ideia é transformar a fábrica de Resende em uma plataforma de exportações para a região. Apesar de restrições do governo de Cristina Kirchner a importações, ele avalia que a manutenção do acordo automotivo com a Argentina - que está sendo negociado entre os países - dá condições para a marca crescer no mercado vizinho. Com a introdução da linha extrapesada, a MAN passa a cobrir um segmento que representa cerca de 10% das vendas de caminhões na Argentina, complementando uma gama que hoje vai de caminhões leves a pesados, afirma o executivo.
 
No Brasil, a montadora é líder no mercado de caminhões, com uma participação de 27,4% quando se soma as marcas Volkswagen e MAN. Depois da derrocada no ano passado, quando as vendas de caminhões no país caíram cerca de 20%, Cortes prevê um crescimento de 7,5% a 10% do mercado brasileiro em 2013, para um volume de 148 mil a 151,5 mil unidades. Isso significaria voltar a níveis próximos ao resultado de 2010, segundo melhor ano da história e quando 157,4 mil unidades foram emplacadas.
 
Já a produção do veículo, prevê o executivo, vai crescer cerca de 25%. Em 2012, as montadoras reduziram em 40% a fabricação de caminhões. Além da queda na demanda, a redução na atividade das fábricas se deu por conta dos altos estoques formados no fim do ano anterior para o período de transição na tecnologia dos motores. Com a chegada dos caminhões Euro 5, os veículos se tornaram menos poluentes, mas os preços subiram em até 15%.
 
A retomada do mercado veio apenas no último trimestre do ano passado, graças a taxas de juros subsidiadas abaixo da inflação nos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de compras públicas de caminhões e programas estaduais de renovação de frota.
 
Cortes diz que suas projeções se baseiam na manutenção desses estímulos, junto com um crescimento da economia brasileira próximo de 3%. As projeções do mercado financeiro, contudo, apontam para uma expansão mais tímida do Produto Interno Bruto (PIB): da ordem de 2,5%, segundo previsões compiladas pelo Banco Central no boletim Focus.
 
Segundo balanço divulgado ontem pela Fenabrave, a entidade que abriga as concessionárias de veículos, as vendas de caminhões crescem 6,1% neste ano. Na primeira quinzena de junho, a alta foi de 26,9%, comparativamente a igual período do ano passado. No total, 68,5 mil caminhões foram emplacados desde o início do ano.
 
Por Eduardo Laguna/ Valor Econômico



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