Desvalorização cambial amplia a base de clientes da Okuma

Fonte: Vervi Assessoria e Comunicações - 19/06/07

A desvalorização cambial está contribuindo para mudar o perfil de compradores de máquinas importadas que possuem maior grau de sofisticação tecnológica. Tradicionalmente quem adquire esse tipo  de equipamento são as grandes corporações, mas com a queda dos preços, esses produtos acabaram ficando acessíveis também para indústrias de menor porte. Foi o que constatou a subsidiária brasileira da Okuma, que, em termos de volume de vendas, teve no  mês de maio deste ano o melhor desempenho de toda sua história, desde que passou a responder diretamente pelo mercado Sul-americano.  Parte destas vendas ocorreram durante a Feimafe, tida como a maior feira de máquinas e ferramentas da América do Sul.

Na avaliação de Alcino Bastos, gerente geral da Okuma, esse resultado é positivo na medida em que ampliou o leque de clientes da empresa que habitualmente atendia apenas as grandes corporações, a maioria delas, multinacionais. “No período de 2003 a 2007 o dólar caiu cerca de 40%, o que conseqüentemente impactou na redução do preço das máquinas importadas tornando-as extremamente atrativas para um maior número de empresas”, justifica. Como exemplo, o executivo destaca que uma máquina que custava R$ 350 mil , hoje pode ser adquirida por cerca de R$ 195 mil. “Com isso, um equipamento mais sofisticado e munido com controle numérico computadorizado está sendo vendido por um preço equivalente ao de uma máquina convencional, bem mais simples”.

De acordo com Bastos, essa situação, somada à retomada dos investimentos pelo setor industrial, estimulada pela melhoria nas linhas de crédito, contribuiu também para que a Okuma concretizasse vendas durante a Feimafe. “Como os nossos clientes tradicionais são as grandes empresas, estávamos habituados a fechar os negócios nos meses posteriores ao evento, uma vez que as máquinas que interessam a esse público são bastante sofisticadas e de alto valor. Vendas efetivas durante o evento eram poucas. Este ano, no entanto, ocorreu algo inédito e efetivamos várias vendas durante a feira, e os compradores foram indústrias de menor porte, em que o proprietário tem o poder de decisão e por isso as negociações são mais rápidas”.

Diante desse novo cenário, a Okuma se estruturou para facilitar ainda mais, a essas empresas, o acesso aos seus produtos. “Estamos vendendo modelos de máquinas mais simples, mas com a mesma qualidade e tecnologia inovadora dos modelos mais complexos, e também facilitamos o pagamento oferecendo a nossos clientes a possibilidade de pagamento parcelado para alguns modelos de máquinas. É uma forma de permitir às indústrias que sempre quiseram ter um equipamento Okuma, realizarem o seu desejo, até porque ainda há carência de linhas de financiamento e de crédito para as empresas de menor porte”, salienta Bastos.

Se de um lado a Okuma comemora a conquista de novos clientes, de outro, no entanto, vê com certa preocupação a retração dos investimentos da parte das grandes empresas que são seus compradores tradicionais. De acordo com Bastos, embora a queda dos preços das máquinas seja vantajosa também para essa fatia do público, a maioria não está investindo na modernização de seus parques porque a desvalorização cambial está reduzindo sua rentabilidade. “São multinacionais, que possuem plantas em vários locais no mundo e exportam cerca de 60% da produção. A maioria está mantendo as exportações para não perder mercado, mas isso contribui para minar sua capacidade de investimento”, explica Bastos.

Apesar disso, o executivo mostra-se otimista e prevê para o país um crescimento da ordem de 3,5% a 4% neste ano. Entre os setores que apresentam maiores perspectivas de expansão dos investimentos estão o automotivo, petroquímico, moldes e matrizes, açúcar e álcool,  siderúrgico e mineração.
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