Mercado volátil traz insegurança às importadoras

Solenidade de aniversário de dez anos da Abimei reforça luta das importadoras no Brasil.

A instabilidade no câmbio, na economia global e, principalmente, as barrareis fiscais de importação no Brasil criam um clima de insegurança para os importadores de máquinas e equipamentos.  Durante a 14ª Feimafe, a maior feira do setor, realizada na última semana em São Paulo, era comum ouvir dos empresários queixas sobre o protecionismo do governo atual.  

Um exemplo disso foi o discurso realizado pelo presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), Ennio Crispino, durante a celebração de 10 anos da Associação, ocorrida na última quarta-feira (6) paralelamente à Feimafe.

Crispino criticou as medidas adotadas pelo Governo a partir de outubro, quando houve o aumento do imposto de importação para 100 produtos, entre eles 35 bens de capital e insumos usados na indústria. Desde então, o imposto para a importação subiu de 14% para 25%.

Em entrevista ao CIMM durante 14ª Feimafe, o presidente da importadora Mitsui Motion, Marcos Bastos, também ressaltou a situação. “O mercado sentiu o alto custo do imposto de importação de alguns bens”, disse. Para ele, em função do Custo Brasil, as empresas buscam automatizar suas indústrias para aumentar a produção doméstica com maior eficiência possível.  Entretanto, as ações pontuais do Governo acabam desequilibrando o mercado e dificultam a entrada de máquinas com alta tecnologia no País.

O diretor comercial do Grupo Bener, Wilson Borgneth, compartilha da mesma opinião. “Hoje o que se vende é reposição, pois as empresas não investem mais para expandir, mas para aumentar a produção”, explica. A multinacional alemã Heller, que encerrou 2012 no vermelho no Brasil – ao contrário das outras unidades no mundo –, previu a crise e mudou a estratégia aumentando até 40% sua capacidade produtiva.

Diante da conjuntura econômica, as empresas buscam trazer novidades em tecnologias para se destacar no mercado. Equipamentos mais eficientes e oferta de serviços também são algumas das saídas encontradas para enfrentar a crise. O gerente de vendas da importadora CIMHSA, Vinícius Cordeiro, conta que a estratégia utilizada pela empresa é o pós-venda. Ainda que em tempos difíceis, a empresa espera fechar o faturamento deste ano 20% acima do ano anterior.

Competitividade e tecnologia

O discurso de Crispino, durante a solenidade de aniversário da Abimei, também ressaltou a necessidade do País investir em inovação tecnológica para atender as necessidades do mercado interno.

“É impossível aumentar a competitividade, sem investir em inovação tecnológica. Todos os outros entraves ao crescimento econômico do país, e que compõem o chamado Custo Brasil, não irão adiantar se não houver estímulo ao aumento da competitividade”, declarou. 




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