Bosch busca nos emergentes alternativas à crise europeia

Volkmar Denner, presidente de Bosch, prevê aumento de faturamento de apenas 2% a 4% este ano globalmente, comparado a 1,9% no ano passado.

O grupo alemão Bosch, um dos maiores fornecedores de autopeças do mundo, aposta em mais vendas nos mercados emergentes como o Brasil para compensar a estagnação dos negócios na Europa este ano.

Volkmar Denner, presidente de Bosch, prevê aumento de faturamento de apenas 2% a 4% este ano globalmente, comparado a 1,9% no ano passado, mas acha que "nos emergentes as vendas vão crescer muito mais rápido".
 
Em entrevista a jornalistas brasileiros em Genebra, Denner disse que a companhia, conhecida pela produção de freios eletrônicos, tem "claro foco na segurança do transito em emergentes, incluindo para transporte de duas rodas".
 
Ele revelou que, em 2014, a Bosch implementará um novo sistema de tecnologia para proteger os pedestres que poderá melhorar substancialmente a segurança no trânsito. O sistema identifica mais rapidamente uma colisão com pedestres com ajuda de vídeo radar, sendo bem mais avançado que os sensores atuais nos para-choque dos carros.
 
Segundo o executivo, com toda tecnologia nova o preço do carro aumenta, mas que o processo para aplicação em massa é muito rápido e logo a novidade chega nos emergentes com custo compatível com o mercado.
 
O Brasil é um dos mercados alvos, levando em conta estimativas das Nações Unidas que apontam o país como campeão de mortes no trânsito no mundo. Sua estimativa é de 44 mil mortes no ano no país, com a taxa de 22,5 mortes por 100 mil habitantes, só superado por países africanos mais pobres.
 
"Para cada região, estudamos em detalhes as necessidades e tentamos oferecer tecnologia para prevenir esses acidentes", afirmou o executivo.
 
O grupo alemão tem passado maus momentos por causa da persistência da crise econômica na Europa. No ano passado, a margem de lucro caiu para 2,5%, em parte por causa de pesados investimentos em eletro mobilidade e alta de preço das matérias-primas. A companhia sofreu perda de US$ 1,3 bilhão em sua divisão de energia solar, que foi colocada à venda.
 
Volkmar Denner disse que as vendas no primeiro trimestre foram fracas, mas que em abril já subiram ligeiramente. "Esperamos que isso vai continuar, mas de outro lado há muita incerteza no mercado", afirmou.
 
No mês passado, as vendas de carros voltaram a aumentar na Europa, com alta de 2% graças ao dinamismo dos mercados britânico e alemão, após vários meses de dificuldades. Em toda a Europa, foram vendidos 1,08 milhão de carros em abril.
 
Por Assis Moreira/ Valor Econômico

 




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