Importações devem recuar 15% em 2013

Importações devem recuar 15% em 2013

As importações de aço devem recuar 15,4% em 2013 e fechar o ano em 3,2 milhões de toneladas, prevê o Instituto Aço Brasil (IABr). Em 2010, as importações somaram 5,9 milhões e nos últimos dois anos ficaram na casa dos 3,8 milhões de toneladas. A redução nas importações pode não representar um ganho automático para as siderúrgicas brasileiras, uma vez que as importações indiretas de aço, quando o metal vem embarcado em produtos prontos comprados pelo país, como carros, autopeças, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos, estão em expansão.

Apenas entre janeiro e março entram no país 1,3 milhão de toneladas de aço embarcados, num crescimento de 16,6%. Mantido esse ritmo, o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) projeta uma importação indireta de 5,56 milhões de toneladas no ano. Em 2012, foram 4,76 milhões de toneladas. As importações de máquinas e equipamentos, autopeças, móveis, embalagens e estruturas de aço são as que devem gerar maior impacto nos negócios das siderúrgicas e distribuidoras brasileiras. "Nossos clientes, a indústria de transformação, estão perdendo competitividade internacional", diz o presidente do Inda, Carlos Loureiro.
 
"Ganhamos fôlego na concorrência direta, mas perdemos na indireta. É um cenário que exigirá do governo um ágil trabalho de defesa comercial", diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do IABr. Por defesa comercial, Mello Lopes entende uma política ativa de preferência por produtos com conteúdo nacional, por meio de tarifas e cotas.
 
Carlos Loureiro informa que as importações diretas de aços planos no primeiro trimestre do ano recuaram 38,4%, totalizando 300,3 mil toneladas. Ele acredita que nesse segmento as importações devem recuar entre 40% e 45% no ano, confirmando uma tendência que já vem se configurando desde o segundo semestre de 2012. No ano passado, as importações de aços planos somaram 1,64 milhão de toneladas, uma queda de 15,3% em relação a 2011.
 
A redução das importações, diz Loureiro, está ligada a duas medidas do governo. A primeira é a desvalorização cambial ao longo do ano passado, quando o dólar passou de uma cotação na casa de R$ 1,60 para R$ 2,00, gerando uma maior competitividade ao produto nacional. A segunda medida, válida desde janeiro deste ano, foi a adoção de uma alíquota única de ICMS, de 4%, nas transações interestaduais de produtos importados. Com isso, arrefeceu a chamada "guerra dos portos", uma política de incentivos com descontos de ICMS para produtos importados por meio de portos instalados em determinados Estados, como Santa Catarina e Espírito Santo.
 
Loureiro diz que a estratégia comercial das siderúrgicas brasileiras tem contribuído para a redução das importações. "As siderúrgicas brasileiras seguraram seus preços para se manter competitivas em relação ao aço importado". Essa estratégia, porém, passará por um teste nos próximos meses. "Como há excesso de produção global e a demanda nos principais mercados é fraca, muitas siderúrgicas internacionais estão promovendo descontos para garantir vendas", afirma.
 
Segundo Loureiro, como essa política de descontos é recente, vem sendo implementada nas últimas duas semanas e os percentuais de descontos estão sendo negociados, ainda não existem informações disponíveis sobre a intenção de importações por parte das distribuidoras brasileiras. De toda forma, como o prazo entre negociação da importação e a entrega do produto é, em média, de seis meses, não é esperado um impacto nos volumes importados no ano. "Mas podemos ter uma retomada das importações em 2014", afirma. A questão é saber se as siderúrgicas brasileiras acompanharão as internacionais e reduzirão preços para manter mercado.



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