Hyundai faz chegada meteórica ao Brasil

Em apenas três anos e com investimentos na casa de US$ 900 milhões, a Hyundai se estabeleceu no Brasil como fabricante de carros e de máquinas de construção.

Nos últimos três anos, poucas empresas apostaram tanto quanto a Hyundai na escalada do consumo de automóveis e na demanda gerada por projetos de infraestrutura e construção civil no Brasil. De uma presença apenas discreta no país - marcada por produtos, em sua maioria, importados ou fabricados por representantes locais -, os coreanos passaram a, rapidamente, replicar no mercado brasileiro o modelo de conglomerado construído por mais de seis décadas na Ásia.

Em apenas três anos e com investimentos na casa de US$ 900 milhões, a Hyundai se estabeleceu no Brasil como fabricante de carros e de máquinas de construção, além de fincar sua bandeira no setor de construção naval em uma sociedade no estaleiro da OSX, do empresário Eike Batista, no norte do Rio de Janeiro. Agora, o grupo se lança à fabricação de elevadores no Rio Grande do Sul e apresenta-se como um dos interessados no fornecimento de equipamentos ao projeto do trem-bala brasileiro - o TAV, que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.
 
Fundada no fim da década de 40 como uma empresa de construção familiar, a Hyundai expandiu seus negócios para uma série de atividades industriais nos anos seguintes, mas, com a crise asiática de 1997, passou por cisões que deram origem a diversos grupos com atuação independente entre si - apesar de carregarem a mesma marca. Maior deles, com faturamento anual superior a US$ 76 bilhões, o Hyundai Motor Group ficou com as operações automotivas - incluindo as montadoras Hyundai e Kia Motors -, além de negócios nas áreas de equipamentos ferroviários e siderurgia.
 
A Hyundai Heavy Industries - com faturamento de quase US$ 23 bilhões - reuniu as atividades de construção naval, engenharia industrial e máquinas de construção. Já os negócios remanescentes, que não foram separados, continuaram sob o Hyundai Group, empresa que deu origem ao grupo e que tem hoje uma atuação diversificada que vai de hotéis e serviços financeiros à montagem de elevadores.
 
No Brasil, a investida da Hyundai obedece essa separação nas organizações. Ou seja, embora cheguem praticamente ao mesmo tempo, elas não têm relações diretas entre elas. Contudo, as estratégias de entrada no país têm como ponto em comum as alianças com grupos locais que conhecem bem o mercado.
 
Antes de desembolsar US$ 700 milhões para construir uma fábrica de carros em Piracicaba (SP), a Hyundai entregou ao empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono do grupo Caoa, a tarefa de introduzir a marca no país. Da mesma forma, a Hyundai Heavy Industries - braço de indústria pesada - se uniu à BMC, tradicional distribuidora de máquinas, no investimento de US$ 180 milhões em uma fábrica de escavadeiras em Itatiaia (RJ), inaugurada oficialmente no mês passado.
 
Mesmo com o início da produção local, a Caoa segue responsável pela importação de carros da Hyundai, assim como pela produção de utilitários da marca em Goiás. A BMC, por sua vez, faz a distribuição das máquinas produzidas no sul fluminense, após ajudar os coreanos a implementar o empreendimento, incluindo as negociações de financiamento de metade do investimento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
 
No setor automotivo, o retorno tem acontecido mais rápido do que se imaginava. Em apenas sete meses, a Hyundai conseguiu colocar o HB20 entre os quatro carros mais vendidos no país. Incluindo na conta os veículos comercializados pela Caoa, a marca já tem 5,8% das vendas de carros no Brasil - na metade do caminho para alcançar a meta de 10% e superar a Ford na quarta posição do mercado brasileiro.
 
A estratégia de entrada do grupo também incluiu sucessivas trocas de executivos na chefia da subsidiária para cada fase de desenvolvimento da empresa no país. Em dois anos no Brasil, a Hyundai teve três presidentes. William Lee é quem está no comando desde janeiro deste ano para consolidar a investida da empresa como uma marca popular de automóveis.
 
Agora, a aposta é que o sucesso meteórico no segmento automotivo se repita com a produção de elevadores da marca, importados por aqui há um ano. Em um terreno de 150 mil metros quadrados em São Leopoldo (RS), a Hyundai vai instalar sua primeira fábrica fora da Ásia, assim como já havia ocorrido no negócio de máquinas de construção. Segundo a prefeitura da cidade, a terraplenagem no terreno já teve início e a unidade tem previsão de ser inaugurada no primeiro trimestre de 2014, com investimentos estimados em US$ 30 milhões.
 
No primeiro ano de importação, a Hyundai vendeu cerca de 500 elevadores no país. Com a fábrica, terá capacidade de produzir 3 mil unidades em plena capacidade. A meta é abocanhar 20% do mercado e brigar com as marcas que dominam o setor - Atlas Schindler, Otis e ThyssenKrupp.
 
Por Eduardo Laguna e Ana Fernandes/ Valor Econômico



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