Chinesa SDLG chega ao país para disputar mercado de máquinas

Será a primeira da empresa fora da China, com um investimento de US$ 10 milhões.


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Mais uma fabricante de máquinas para construção a se instalar no Brasil, a chinesa SDLG aposta na experiência da Volvo, controladora da companhia, para se destacar em um mercado cada vez mais concorrido. Em junho, a linha de produção de escavadeiras da SDLG começará a operar em fase de testes. Instalada na fábrica da Volvo Construction Equipment, em Pederneiras (SP), será a primeira da empresa fora da China, com um investimento de US$ 10 milhões.

"Adicionar essa operação será rápido, já temos a rede de fornecedores e linhas de apoio, como solda e pintura", disse ao Valor o novo diretor de negócios da SDLG para América Latina, Enrique Ramírez. A Volvo comprou 70% da SDLG em 2006, como estratégia para entrar no mercado de máquinas de menor tecnologia embarcada, conhecidas como "simple tech", e viu no Brasil e na América Latina espaço para crescer nesse segmento.
 
"Era um segmento de mercado que não era atendido adequadamente aqui", disse Ramírez. Segundo cálculos da empresa, há quatro anos, apenas 20% do mercado brasileiro de pás-carregadeiras era de tecnologia mais simples e, atualmente, essa fatia já atinge metade dos equipamentos vendidos.
 
A SDLG traz pás-carregadeiras importadas ao Brasil desde 2009 e obteve um posicionamento considerável no mercado. Vendeu no ano passado 600 unidades, de um total de cerca de 5 mil equipamentos comercializados no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).
 
Desde o ano passado, a empresa passou a trazer escavadeiras - o Brasil foi o primeiro país a receber exportações da SDLG de outro equipamento que não as pás-carregadeiras. Segundo Ramírez, a companhia viu que a escavadeira é um equipamento muito consumido no país - 6,5 mil unidades no ano passado, segundo a Sobratema - e que traz grande vantagens na nacionalização e acesso ao Finame, a linha subsidiada de financiamento de máquinas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Enquanto as pás-carregadeiras ainda são relativamente mais fáceis de se importar, por serem de menor porte - vão de seis a 18 toneladas, enquanto escavadeiras da SDLG vão de 14 a 28 toneladas.
 
O executivo espera que as vendas da linha de Pederneiras comecem em setembro e cheguem a cem unidades neste ano. Para 2015, se os investimentos produtivos no Brasil vierem no ritmo esperado, a meta é chegar ao volume de 500 unidades por ano.
 
Além da SDLG, outras fabricantes estão de olho nesse mercado. Só em escavadeiras começaram a produzir recentemente no país as coreanas Hyundai e Doosan e a chinesa Sany. A J ohn Deere, em parceria com a Hitachi, também fará o equipamento em unidade que ficará em Indaiatuba (SP).
 
Para se diferenciar entre as concorrentes e superar a imagem de baixa qualidade associada a equipamentos chineses, a aposta será investir em serviços. A SDLG tem seis distribuidores no Brasil. Segundo Ramírez, a vantagem é que são distribuidoras de grupos que já têm a experiência de serviços de pós-venda dos equipamentos Volvo, caso da Tracbraz, do grupo Tracbel.
 
A empresa ainda avaliará, até o fim do ano, trazer a fabricação de pás-carregadeiras, disse Ramírez. Outros produtos, hoje só vendidos na China (o país ainda concentra 90% das operações da SDLG), também podem vir para o Brasil nos próximos anos, como rolos compactadores.
 
A Volvo Construction Equipment não divulga o faturamento isolado da SDLG. Em 2012, o faturamento global da Volvo CE foi de 63,5 bilhões de coroas suecas (R$ 19,6 bilhões). Na América do Sul, as vendas somaram 3,8 bilhões de coroas suecas (R$ 1,17 bilhão).
 
Por Ana Fernandes/ Valor Econômico



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