Abimaq está preocupada com o movimento tímido dos fabricantes ao Finame

Apenas dois fabricantes de aerogeradores se inscreveram até o momento no processo de habilitação.

Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que está preocupada com a movimentação "tímida" dos fabricantes para ingressarem no Novo Finame - linha de financiamento do BNDES para máquinas e equipamentos. Segundo o presidente do conselho de Energia Eólica da Abimaq, Roberto Veiga, apenas dois fabricantes de aerogeradores se inscreveram até o momento no processo de habilitação.

"Isso preocupa quem está na cadeia porque investimento na fabricação dessas partes e peças levam tempo e dinheiro. Estamos preocupados e dentro da Abimaq temos tratado esse assunto com muita seriedade, porque não estamos vendo esse movimento de credenciamento", disse Veiga, após participar de evento em São Paulo.
 
De acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), até o momento, a única empresa autorizada a operar nas novas regras da Finame é a Impsa. "As outras empresas estão em processo de análise", afirmou, em nota, ao Jornal da Energia.
 
Embora não se tenha a informação exata de quem são as "outras", na opinião do presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Mello, tudo indica que a Wobben WindPower é a mais próxima de se credenciar. Elbia disse que o acesso a essa informação no BNDES é complicado, mas ela compartilhou que pode não ser dois, mas, sim, quatro fabricantes em processo de habilitação ao Novo Finame.
 
Apesar das preocupações, tanto a Abimaq quanto a Abeeólica são favoráveis à nova exigência do BNDES, que abandonou o conceito de 60%/40% de conteúdo nacional para adotar um critério mais técnico. Para Veiga, o conceito anterior de nacionalização dos equipamentos adotados pelo banco "mascarava um pouco, permitindo aos fabricantes investir em coisas que não tinham muito valor".
 
Para Elbia, o novo Finame colocou a indústria eólica em uma situação desafiadora, que exigirá grandes investimentos. "A regra tornou obrigatório que o fabricante saia da pedra fundamental e se firme no país”, afirmou. "Este ano as indústrias vão ter que decidir se ficam ou se vão embora", completou. Elbia ainda foi além, e afirmou que dificilmente os fabricantes sobreviverão no mercado brasileiro sem ter o apoio do Finame.
 
A nova regrada no Finame, aprovada em dezembro de 2012, estabeleceu metas físicas, divididas em etapas, que deverão ser cumpridas pelos fabricantes de acordo com o cronograma. Para que se habilite a ingressar na nova metodologia, a empresa deve ter em execução as etapas mínimas estabelecidas no marco inicial, fixado em 1º de janeiro de 2013.
 
Os modelos de aerogeradores atualmente credenciados somente poderão ser financiados pelo BNDES se equiparem parques eólicos vencedores dos leilões de energia já promovidos pelo Governo Federal em 2009, 2010 e 2011, exceto A-5. Dessa forma, os investidores que viabilizaram parques no último leilão de energia nova, ocorrido em dezembro de 2012 - só poderiam comprar os equipamentos, com empréstimos do BNDES, da Impsa.
 
Já para os parques viabilizados até 2011, os investidores podem contar com Siemens, Wobben, Impsa, Vestas, GE, Gamesa, Alston e Weg. Clipper, Suzlon e Acciona não estão autorizadas a operar no Finame: nem no novo, nem no antigo, de acordo com o BNDES. Furlander, LM Wind Power também estão fora.
 
Os equipamentos representam 75% dos custos de um parque eólico e a menor oferta de fabricantes pode pressionar a competitividade da fonte nos certames do governo. Para o próximo leilão A-3, a fonte eólica ainda terá que conviver com o fato de que somente os parques com linhas de transmissão existentes poderão vender energia, diminuindo a oferta de empreendimentos.
 
Embora seja inevitável um aumento de preço da eólica no próximo leilão, a fonte deve se manter muito competitiva, devido à diferença de preço da eólica frente às outras fontes. "O gap de preços é muito grande, estamos falando de R$ 105 versus R$ 140", disse Elbia. "Somando todas essas mudanças, ainda sim tem muito espaço para subir o custo da eólica e ela permanecer competitiva."
 
A executiva, porém, alerta que é preciso ter cuidado com o impacto de várias medidas. "O conjunto pode se tornar prejudicial. Temos que ficar atentos", disse ela.
 
"O governo está fazendo ajustes, porque nós queremos uma indústria nacionalizada", defendeu Elbia. "A política da ICG também é adequada. Se reconheceu que não são dois anos para fazer linha de transmissão", completou.
 
Roberto Veiga, da Abimaq, pede ainda que o governo adote o conceito de conteúdo local nos leilões. Ele teme a entrada aerogeradores vindos de fora, principalmente da China. "A China está com uma capacidade instalada muito maior e eles estão saindo com o produto deles junto com o 'BNDES chinês'. Eles têm dois bancos de investimento na China, nos mesmos moldes do BNDES, mas com quase seis vezes mais capacidade de investimento. Essa proteção nos leilões é necessária para que se evite a entrada de aerogeradores com financiamento externo", alertou. No Brasil, já existe um parque eólico da Desenvix, instalado em Sergipe, financiado e equipado com máquinas da chinesa Sinovel.
 
Para Elbia, 2013 é o ano da consolidação da fonte eólica e uma boa contratação no próximo certame é muito importante. "O melhor cenário seria contratar 2GW e um cenário ruim seria contratar menos que 1GW. Qualquer coisa abaixo disso vai ser preocupante", alertou.



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