Fabricantes de bens de capital adotam cautela

Empresas reforçam estratégias como diversificação de portfólio e manutenção da base de clientes.

A recuperação em 2013 do setor de bens de capital ainda está longe de ser uma realidade e cada vez mais se vê uma postura de cautela entre fabricantes de máquinas. Atentas aos sinais macroeconômicos, as empresas estão reforçando estratégias "de segurança", como diversificação de portfólio e manutenção da base de clientes.

A Indústrias Romi, principal fabricante de máquinas-ferramenta nacional, vem apresentando uma melhora nas vendas nos últimos meses. Ainda assim, reforçou as outras unidades de negócios, de usinagem e de máquinas para plástico. Também investiu em diversificação geográfica, com a unidade alemã B+W, que vem ajudando a equilibrar os resultados nos últimos trimestres.
 
A estratégia é comum também no segmento de construção, onde multinacionais vêm estudando cada vez mais ter diferentes linhas de produção instaladas. Entre fabricantes novatas no país, as coreanas Doosan e Hyundai, que começaram com escavadeiras, já planejam trazer escavadeiras maiores para mineração, no caso da primeira, e pás-carregadeiras e retroescavadeiras, no caso da segunda.
 
Mesmo as companhias instaladas há décadas no Brasil estão se mexendo. A JCB tenta explorar novo nicho, vendendo as máquinas de construção para o setor agrícola, o que é feito pela multinacional em outras partes do mundo, mas tem pouco efeito por aqui. Caterpillar, por sua vez, quer ampliar a produção de componentes no país e a oferta de serviços de recondicionamento de máquinas usadas.
 
O discurso das empresas de bens de capital continua claramente de tom otimista para 2013. A alta nos juros básicos, em um momento em que a economia brasileira ainda está morna, no entanto, acende um alerta no pano de fundo, principalmente nesse setor que é de investimentos produtivos. A questão é o quanto esse cenário poderia abalar a confiança dos investidores privados e quanto tempo levará o governo para destravar os investimentos públicos.
 
No ano passado, o setor de bens de capital sofreu uma desaceleração generalizada - queda de 3% no faturamento em relação a 2011, pelo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Alguns segmentos sofreram mais, com queda da ordem de 20% como em máquinas industriais, mas, para o setor como um todo, foi um ano muito ruim. Até por isso, ainda se mantém a perspectiva de que certamente 2013 será melhor.
 
Março veio com relatos de retomada das vendas de máquinas em variadas cadeias produtivas. Muitos executivos, contudo, ainda veem uma lentidão cada vez maior na consolidação da tendência de recuperação. O problema está na indústria, principal demandante de máquinas, e que ainda não voltou a produzir com maior força.
 
Já se esperava que janeiro e fevereiro seriam meses de desempenho fraco para a indústria, mas os números surpreenderam negativamente. A produção industrial, medida pelo IBGE, apresentou recuo de 2,5% na passagem de janeiro para fevereiro, praticamente anulando a alta observada no primeiro mês do ano. Foi o pior desempenho do indicador desde dezembro de 2008.
 
Isolando-se a produção de bens de capital, ela se descolou do levantamento, subiu 1,6% em fevereiro na comparação com janeiro. Isso sinalizou, porém, que, embaladas pelo "otimismo moderado" para 2013, as empresas começaram a fabricar mais máquinas para suprir uma demanda futura.
 
"Há essa incerteza muito clara em relação aos setores demandantes", avalia Rodrigo Baggi, analista de bens de capital da Tendências Consultoria. Ele diz que, até o momento, não viu motivos para revisar para baixo as expectativas de desempenho do setor de máquinas para 2013. Mas lembra que o fim do primeiro trimestre é fundamental para consolidar as previsões. Em 2012, as perspectivas mais pessimistas foram se desenhando a partir de junho e julho.
 
Por ora, a aposta da Tendências ainda é de alta de 8,6% na produção de bens de capital no ano. O número é puxado pela expectativa de recuperação de vendas de caminhões. Olhando-se apenas para máquinas e equipamentos de fins industriais, a consultoria vê alta de 4,3%, e para equipamentos de extração mineral e construção, 5,2%. No caso do primeiro segmento, se confirmada, a projeção aponta recuperação razoável em relação a 2012, quando a produção caiu 4,1%. Já a produção de equipamentos de construção e mineração havia recuado 18% no ano passado e ainda tem muito terreno a reconquistar. Resta ver se os números de março e abril vão consolidar as previsões positivas.



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