Fornecedora de autopeças chinesa promete fazer novos produtos no Brasil

A empresa quer fornecer, até 2016, peças de motores, transmissões manuais e freios para principais montadoras

A japonesa Aisin, dona do status de quinto maior fornecedor de autopeças do mundo (atrás de Bosch, Denso, Continental e Magna International), confirmou durante a 11ª Automec - feira internacional de autopeças que acontece em São Paulo de 16 a 20 de abril -, que está prestes a fabricar peças de motores, transmissões manuais e freios no Brasil, onde já mantém operações desde 1974, tendo investido cerca de R$ 200 milhões desde então. “Estamos em negociação com grandes montadoras e devemos começar a entregar os componentes em 2016. Para fazê-los aqui será necessário um investimento adicional”, declarou o presidente da Aisin, Takeshi Osada, sem revelar valores. 

Presente em 20 países e com 74 mil empregados, a japonesa consegue fazer boa parte de um veículo sozinha, desde partes da carroceria, passando por sistemas de transmissões, que respondem por 40% das suas vendas mundiais, a itens de tecnologia embarcada. No Brasil, a companhia está de olho nas oportunidades que virão com o Inovar-Auto, o novo regime automotivo que incentiva o uso de peças produzidas localmente. “Nossa gama de produtos para o País ainda é pequena, mas esperamos crescer rapidamente na mesma velocidade que promete a indústria automobilística brasileira”, comentou Osada. 
 
Os componentes para motor, as transmissões manuais e os freios ganharão forma na planta que foi inaugurada em agosto de 2012 em Itu, no interior de São Paulo. Na unidade, da divisão Aisin Automotive, já são feitas peças para bancos e portas para tradicionais clientes da empresa, como as japonesas Toyota e Honda. A Toyota, a maior compradora da Aisin, absorve dessa planta partes do banco do seu recém-lançado Etios, hatchback que não anda tendo resultados expressivos no mercado brasileiro. 
 
O próprio presidente reconhece que concentrar o fornecimento para o Etios não tem sido um bom negócio e que a diversificação da clientela e dos produtos (as transmissões e os freios) será crucial para alavancar seu potencial no Brasil. “A nossa meta é atender as quatro maiores fabricantes de veículos (Fiat, GM, Volkswagen e Ford) com esses novos componentes”, apontou. 
 
Na pequena fábrica de Barueri, também no interior de São Paulo, que a Aisin mantém desde que passou a fornecer para o setor automotivo, em 2003, ainda são feitos componentes perfilados para portas de veículos. A Toyota compra toda a porta da Aisin, enquanto a GM, as canaletas dos vidros (para o hatch Onix), e a Honda, a armação. A unidade será mantida, mas não desenvolverá nenhum desses novos produtos anunciados. 
 
A Aisin planeja ser a maior fornecedora de autopeças do mundo em 2020, alcançando faturamento de US$ 40 bilhões.
 
Por Camila Franco/ Automotive Business



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