Asiáticas adiam início de novas fábricas

Em 2012, houve um recuo de 3% nas vendas de máquinas da linha amarela


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No ano passado, o mercado brasileiro consumiu 29,7 mil máquinas da linha amarela, que inclui alguns dos principais equipamentos de construção, como escavadeiras, rolos compactadores e motoniveladoras. Houve um recuo de 3% em relação a 2011, apontou estudo da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). O desempenho só não foi pior porque o Ministério do Desenvolvimento Agrário fez uma encomenda de 1,7 mil retroescavadeiras. Sem essa compra do governo, o tombo teria sido de 8%.

A chinesa Sany tinha planos de abrir uma fábrica em Jacareí no começo deste ano, com investimentos de US$ 80 milhões. As obras, contudo, foram paralisadas após a terraplenagem e não ficarão pronta antes de 2014. Em entrevista ao Valor, o presidente da empresa no Brasil, David Cui, negou que os planos tenham sido adiados por causa da desaceleração do mercado brasileiro. "Foi uma questão de azar, de "timing"; a China andou devagar em 2012 e decidimos ser mais conservadores com os investimentos."
 
A China responde por quase 90% do faturamento da Sany, que foi de US$ 13,6 bilhões no ano passado. O Brasil é o segundo maior mercado para a empresa. Enquanto a fábrica de Jacareí não saía do papel, a empresa investiu na produção via linha de montagem. A unidade em São José dos Campos (SP), dobrou em área, para 20 mil m2, desde que começou a operar no fim de 2010.
 
Cui admitiu, porém, que esperava estar com um ritmo de produção maior, principalmente de escavadeiras. No ano passado, a Sany montou cerca de 150 guindastes e 350 escavadeiras, sendo que a unidade em São José já tem capacidade para produzir até mil escavadeiras anualmente. Com a fábrica em Jacareí a capacidade será elevada para 1,5 mil unidades por ano.
 
"A primeira coisa que aprendemos sobre Brasil é que fatores macroeconômicos mudam rapidamente, estamos preparados para isso", disse Cui sobre a desaceleração no mercado nacional. O executivo disse estar confiante na retomada do mercado local a partir do segundo trimestre.
 
A Hyundai Heavy Industries também sentiu a queda na demanda. Segundo o presidente da Brasil Máquinas de Construção (BMC), Felipe Cavalieri, a empresa está ainda estocada com máquinas importadas.
 
A BMC é parceira da Hyundai no investimento de US$ 180 milhões na unidade de Itatiaia (RJ). A fábrica começou a operar neste mês, com atraso, já que a previsão inicial era operar no fim de 2012. Cavalieri garante que a desaceleração no mercado brasileiro de maquinário para construção não foi o motivo principal para esse atraso, mas afirma que a produção começou mais fraca do que era projetado. "Hoje, estamos com quase cinco meses de estoque, quando o ideal era estar perto de zerar esse estoque para substituir por máquina nacional."
 
Cavalieri conta que conversou com a matriz e que não sente que os planos foram abalados, mas avalia que existe sim uma preocupação. "A gente já começou segurando a produção; os coreanos tinham uma visão de mercado mais sólido e esse mercado está ficando cada vez mais para trás."
 
A também coreana Doosan iniciou a produção no fim do ano passado, em Americana (SP), após sucessivos atrasos. A data anunciada inicialmente era segundo trimestre de 2012. Segundo a companhia, a fabricação começou com 25 escavadeiras de 22 toneladas por mês. O ritmo ainda está bem abaixo do necessário para alcançar a meta de produzir 800 equipamentos dessa linha em 2013. A empresa planeja acelerar a produção a partir de maio, quando está prevista para acontecer a inauguração formal da fábrica. A companhia está trabalhando ainda para conseguir cumprir as exigências de nacionalização do BNDES e ter acesso à linha de financiamento Finame, considerada essencial para viabilizar a produção local.
 
O presidente da empresa no Brasil, assim como seus pares, nega haver qualquer mudança de planos. "A empresa investiu alto no país e vai continuar investindo; [...] O Brasil e a América Latina são as grandes forças que irão movimentar a economia do planeta nos próximos anos", disse Donghoon Lee. O executivo reforçou que a meta de 800 unidades para escavadeira de 22 toneladas será alcançada e que a empresa começará a fabricar a linha de 34 toneladas, destinada à mineração, no último trimestre do ano. Os investimentos na fábrica são da ordem de US$ 80 milhões.
 
A estatal chinesa XCMG, segundo apurou o Valor, não está com atrasos na construção de sua fábrica, em Pouso Alegre (MG). Até por receber apoio financeiro do governo chinês, a empresa toca as obras a pleno vapor e a expectativa é que sejam concluídas dentro do prazo, em abril. Contudo, a produção está programada para começar somente em julho, relataram fontes próximas à empresa. A própria XCMG sinaliza nessa direção. "Pode haver alguma alteração de cronograma devido a algum detalhe técnico, esperamos que no inicio do segundo semestre já estejamos em produção em Pouso Alegre", disse o diretor operacional da companhia em São Paulo, Rubens Azevedo.
 
A princípio, a unidade de Pouso Alegre produzirá caminhões guindaste e escavadeiras. Outras linhas que estavam previstas, como motoniveladoras e pás carregadeiras, seguem sem data para começarem a ser fabricadas.
 
Azevedo admitiu que a companhia esperava um desempenho melhor do mercado brasileiro em 2012, mas afirmou que os planos da XCMG continuam de pé. A meta é chegar à marca de 10 mil unidades, somando todas as linhas, até 2015. A primeira fase de investimentos é de US$ 200 milhões e a empresa anunciou uma segunda rodada que totalizará US$ 500 milhões, em três anos. "A XCMG continua vendo o Brasil como destaque na economia das Américas e ponto seguro de investimentos".
 
Por Ana Fernandes/ Valor Econômico



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