Audi entra para o Inovar-Auto e sinaliza com produção em fábrica da Volks no PR

Audi entra para o Inovar-Auto e sinaliza com produção em fábrica da Volks no PR

 

A Audi prevê uma redução nos preços de seus modelos após ter conseguido, nesta terça-feira (12), a habilitação para o novo regime automotivo, que prevê uma cota de importação mediante o cumprimento de exigências do governo.
 
O texto da habilitação foi publicado no "Diário Oficial da União" desta terça-feira (12). A empresa terá direito de importar 969 carros por trimestre sem ter de pagar o adicional de 30 pontos de IPI, o que, em um ano, significa 3.896 unidades.
 
A cota é similar aos 3.949 carros de passeio (descontando utilitários, como Q5 e Q7) que a fabricante vendeu no Brasil durante todo 2012.
 
"Não dá para dizer o quanto isso reflete no preço exatamente, mas devemos, sim, ter uma redução dos valores", afirmou Luca de Meo, responsável por marketing e vendas da Audi AG em entrevista feita durante a apresentação do balanço fiscal da empresa em Ingolstadt, Alemanha.
 
A tendência é que ocorra algo similar ao visto nos carros da BMW. Após ter conquistado a habilitação no programa, os preços dos modelos caíram. Hoje é possível comprar um BMW Série 1 por menos de R$ 90 mil.
 
Com a Europa em crise, a marca cada vez mais busca atuar fora do seu continente natal. A principal novidade nesse quesito é a planta do México, na cidade de Puebla.
 
De lá sairá o SUV (utilitário esportivo) Q5, com a principal função de abastecer o mercado norte-americano. De acordo com de Meo, a unidade também terá papel fundamental na expansão das atividades da marca na América Latina.
 
"Certamente ajudará não apenas a facilitar as vendas do Q5 nos Estados Unidos, como na América inteira. Também contamos com o acordo entre Brasil e México para aumentarmos nosso volume de vendas do modelo no país sulamericano", explica. Não há planos, entretanto, para se produzir outros modelos nessa fábrica.
 
Quando à possibilidade de se construir uma fábrica no Brasil, Bernd Martens, membro do conselho administrativo da Audi AG, se disse "totalmente interessado". A ideia mais provável, contudo, é, em vez de uma nova unidade, a ampliação das instalações da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR), para abrigar a atual geração do A3.
 
"Vamos apresentar o estudo de viabilidade em breve, então não podemos dar a certeza. Uma vez aprovado, nossa opção é utilizar as instalações do Paraná para termos a nossa produção", disse.
 
Inovar-Auto
Martens também se mostra tranquilo quanto às regras do Inovar-Auto. "Caso a fábrica se mostre viável, atingiremos facilmente o índice de nacionalização, já que diversos componentes dos nossos carros já são fornecidos para a Volkswagen. Um exemplo é a linha de motores EA211, que é a base para as unidades 1.8 e 1.4 que utilizamos", afirmou.
 
Outra grande possibilidade, caso a Audi realmente produza no país, é a do A3 ser vendido com motorização bi-combustível.
 
Apesar da iniciativa, não há mais detalhes sobre a possível produção de veículos Audi no país.
 
"Ainda estamos em análise e não temos como dar mais detalhes", afirma Martens. Há a possibilidade da expansão de São José dos Pinhais contar com capital do BNDES, mas nada foi confirmado.
 
"A única certeza que podemos dar é a de que, apesar do interessa, só produziremos no país se nossa análise mostrar que é uma atitude viável", conclui.
 
Crescimento
De Meo disse que o desempenho da Audi na América Latina deixou a desejar nesse ano fiscal de 2012 (entre março do ano passado e março deste ano).
 
"Há muito espaço para crescimento e, principalmente por isso, não ficamos muito satisfeitos com o que conquistamos no ano passado", disse.
 
A região, que cresceu 8,2% em 2012, com cerca de 29 mil veículos comercializados, foi ofuscada pelo desempenho da China, que teve 29,6% de alta, chegando a pouco mais de 405 mil carros vendidos e da Rússia, que teve crescimento de 44,1%, que ultrapassou os 33 mil veículos comercializados.
 
O desempenho fora de mercados tradicionais europeus explica-se pela crise econômica que assola o continente. Países como a Itália e Espanha tiveram quedas nas vendas de 17% e 11,7%, respectivamente, enquanto a França apresentou um desempenho pífio, com 0,3% de crescimento.
 
Globalmente, a marca vendeu 11,7% a mais do que em 2011, chegando aos 1,45 milhões de veículos vendidos. Desse montante, a principal estrela foi o A6 sedã, que teve 222.244 emplacamentos durante o ano.
 
Vale lembrar que a Audi também detém outras duas marcas: Lamborghini e Ducati. A primeira obteve um crescimento expressivo em vendas, da ordem de 30%, alimentado pelo bom desempenho do superesportivo Aventador.
 
Carro mais caro da fabricante italiana, ele vendeu 976 unidades em 2012, ficando próximo do modelo "de entrada", o Gallardo (1.221 unidades). Já a Ducati, adquirida durante o ano passado, vendeu 12.734 motos.
 

Por Rodrigo Lara/ Folha de S. Paulo 

 




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