Os engenheiros mais procurados do país

Especialistas afirmam que mercado de engenharia está mais estável, porém alguns profissionais continuam muito demandados

A freada econômica do ano passado também freou o ritmo de contratações de engenheiros. É o que afirmam headhunters consultados pela Exame. Mas, segundo eles, isso não significa que não há espaço para os profissionais de engenharia. 

Ao contrário: entre as 30 profissões mais promissoras para 2013, segundo levantamento da publicação, dez são ligadas à área de engenharia. E muito disso é por conta descompasso entre oferta de profissionais disponíveis e a demanda das companhias.
 
O gargalo, segundo os especialistas, não é tanto a formação, mas a experiência do profissional. “Diferente de uma área financeira que tem muita gente nova, a engenharia precisa de pessoas experientes”, afirma Rodrigo Falcão, gerente da Hays no Rio de Janeiro.  
 
Por isso, boa parte das oportunidades profissionais que chegam nas consultorias de recrutamento consultadas exigem conhecimentos que apenas a vivência de mercado pode oferecer. “As posições que estamos falando dependem do quão específico o profissional é”, afirma Giuliano Carcagnoli, da Futurestep. 
 
Confira a seguir os cargos de engenharia que, de fato, continuam em alta em algumas regiões do país, de acordo com a percepção dos headhunters consultados pela Exame:
 
Diretor de obras de infraestrutura
O diretor de obras de infraestrutura tem a missão de acompanhar todo o cronograma e tirar o empreendimento do papel. “Todo o planejamento da obra é responsabilidade dele, desde a compra de materiais, passando por custo até a visão de tudo o que está sendo feito”, afirma Fernanda Campos, diretora-executiva da Mariaca. O profissional deve ter formação em engenharia civil e experiência no setor.  
 
Diretor de licitações
O profissional atua em obras de infraestrutura e de energia e é responsável por estruturar a proposta da empresa para a licitação da obra. “Ele tem que entender de custos, planejamento, precisa ter uma visão muito boa do cronograma”, afirma a especialista da Mariaca. 
 
“Tem que ter muita habilidade e penetração nos meios de negociações comerciais com o governo e ao mesmo tempo ser muito técnico”, afirma Daniela Ribeiro, da Robert Half. E, segundo Falcão, principalmente, muita experiência. “Se ele não viveu uma obra de grande porte, como irá precificar?”, diz. 
 
Gerente de projetos
Trabalha principalmente em obras de infraestrutura e no setor de óleo e gás. Este é o profissional que tirará o projeto do papel, de acordo com Raphael Falcão, da Hays no Rio de Janeiro. “É a pessoa que conhece de tudo um pouco”, diz Daniela Ribeiro, da Robert Half.
 
“É um engenheiro de qualquer tipo de especialidade com background técnico na área em que está gerenciando o projeto e com certificações”, afirma Diego Mariz, da Michael Page. Na exploração do petróleo, segundo Falcão, geralmente, esta etapa é desenvolvida por equipes multidisciplinares. 
 
Diretores e gerentes de operações
Esse profissional atua em usinas hidrelétricas e eólicas. “Ele olha toda a cadeia de produção até chegar no produto final”, afirma a diretora-executiva da Mariaca. “A responsabilidade é garantir que o site está operando, rodando dentro da disponibilidade correta”, diz Diego Mariz, gerente da Michael Page. Sua formação deve ser em engenharia elétrica com background técnico dentro do setor de energia.
 
Engenheiros para manutenção
Trabalha no setor de óleo e gás (principalmente em plataformas de petróleo) e na indústria pesada. “A manutenção constante dos equipamentos em operação é feita pelos engenheiros”, diz Falcão, da Hays. “Eles são os responsáveis pela disponibilidade dos equipamentos”, afirma Diego Mariz, gerente da Michael Page. Os engenheiros devem ter bom nível técnico e a formação varia de acordo com o setor. 
 
Diretor de tecnologia
Atua no departamento de tecnologia das empresas. Esse departamento foi repaginado nos últimos anos e migrou de um papel de apoio para uma posição estratégica dentro das corporações.
 
“Ele ajuda a empresa a vender mais, melhora a qualidade do produto e faz com que a empresa chegue a mercados que não alcançava antes”, afirma Falcão, da Hays. Afinal, “é a tecnologia que otimiza a operação, desocupa postos de trabalho, reduz custos e aumenta a eficiência”, afirma Rodrigo Forte, da Exec. 
 
Por conta disso, agora, não basta ser um exímio técnico, o engenheiro que atua neste setor tem que ter uma excelente visão do negócio e boa capacidade de negociação. “Ele tem que entender dos negócios para poder trazer soluções no uso da tecnologia”, afirma Fernanda, da Mariaca. “Esta função, hoje, pede uma formação mais científica e complexa porque é um mercado em intensa inovação”, afirma a especialista da Mariaca.
 
Engenheiro ambiental
Esse profissional vem sendo demandado principalmente pelos setores químico e petroquímico, embora também possa atuar em outros segmentos.
 
A expectativa é que, nos próximos anos, mais empresas separem a área ambiental do setor de segurança de trabalho, de acordo com Daniela Ribeiro, da Robert Half. “O profissional precisa primeiro entender o negócio da companhia, os produtos e impacto no meio ambiente para, então, reformular os processos”, afirma a especialista da Mariaca. 
 
Atualmente, no entanto, a maioria das empresas mantém estas duas áreas unidas. Neste caso, o papel do profissional vai desde “manter a operação sem acidentes até garantir que a área produtiva não afete o ambiente evitando desperdícios, fazendo tratamento de resíduos”, afirma Diego Mariz, da Michael Page. 
 
O profissional deve ser engenheiro ambiental ou engenheiro químico com pós em ambiental, segundo o especialista da Robert Half.
 
Por Talita Abrantes/ Exame.com
 
 
 
 
 



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