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Os prós e contras do acordo Mercosul–União Europeia
Começamos o ano de 2026 e, como sempre, com muito mais sustos e notícias ruins para a economia do que ações para crescimento sustentável. No momento, temos a euforia do acordo Mercosul–União Europeia, com previsões de resultados positivos para o Brasil pelas oportunidades de negócios e aumento do comércio entre esses dois blocos, com muito pouco destaque para o maior beneficiário desse acordo, que é o setor do agronegócio.
O agronegócio é hoje o principal ator do comércio internacional do Brasil pela sua competência tecnológica, que proporciona extrema competitividade na produção de alimentos e, certamente, ainda dependendo dos períodos de desgravação dos impostos, surfará nesse novo mercado com bastante sucesso.
Dos demais setores, entretanto, poucos se beneficiarão dessa corrente de negócios, pela sua incapacidade produtiva e falta de competitividade, e outros serão duramente atingidos pelas regras do acordo, como restrições ao uso dos nomes de seus produtos, que estarão protegidos pelas regras protetivas de “denominação” da origem da região produtora.
A indústria brasileira tem sido negligenciada por décadas pelas diferentes políticas dos diferentes governos, sem nunca ter sido contemplada com uma política de Estado.
Em poucos segmentos somos internacionalmente competitivos, mesmo frente às disparidades de remuneração de seus trabalhadores, que podem parecer vantagem competitiva para o Brasil, por quem não tem conhecimento da carga fiscal sobre salários e das obrigações paternalistas exigidas das empresas — indústrias, principalmente — com normas regulamentadoras e demais benefícios, incansavelmente introduzidos por políticas trabalhistas populistas.
As indústrias brasileiras (metalmecânica, máquinas e equipamentos, dentre outras) terão que se adaptar a esses novos tempos, porém sempre com a certeza de que será uma adaptação individual, sofrida e sem nenhuma política que lhes possa amparar em termos de previsões econômicas e redução do custo Brasil, onde a máquina pública suga sofregamente os poucos resultados econômicos advindos da resiliência das indústrias.
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Some-se a isso a dificuldade histórica de nossas empresas em acessar financiamento competitivo, tecnologia, mão de obra qualificada e previsibilidade regulatória. A consequência é simples: abrimos mercado sem estar, de fato, preparados para disputar valor agregado.
A renda per capita brasileira, mesmo maquiada pelos benefícios sociais concedidos à grande parte da população, com destaque para o Bolsa Família, não permite um crescimento de renda sustentável da população.
Comparativamente, um trabalhador sem especialização nenhuma em países da União Europeia é remunerado entre 15 e 17 euros por hora para uma jornada semanal de 40 horas, o que significa R$ 3.760 a R$ 4.280 semanais, comparáveis ao salário-mínimo bruto no Brasil, de aproximadamente R$ 400 semanais.
Tamanha discrepância não é suficiente para nos proporcionar competitividade, porque o problema central não é o salário: é a produtividade, travada por infraestrutura ruim, impostos abusivos, crédito caro e insegurança regulatória. Não temos escala de produção e, a qualquer aumento de demanda, a oferta de produtos não acompanha e resulta em aumento inflacionário e, como resultado, por política econômica, o aumento da taxa de juros para controlá-lo é necessário, em um eterno ciclo vicioso, impedindo investimentos em tecnologia, capacitação e competitividade.
É assim que entramos em um novo ano, com os mesmos velhos problemas piorados e sem perspectiva de aproveitar as oportunidades de crescimento do país e de renda de sua população. Já caímos para a 11ª economia mundial e seguimos firmes nesse retrocesso.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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Carlos Eduardo Baptista
Presidente CEM Rio
CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.
Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.
Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.
Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.
