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Carlos Eduardo Baptista    |   30/07/2025   |   Indústria Metalmecânica - RJ   |  

Tarifaço trumpista versus "pibão" e "pibinho"

A crua realidade econômica brasileira

As recentes e incisivas decisões do ex-presidente dos Estados Unidos da América, que se traduziram em ameaças concretas de desestabilizar e, em alguns casos, até mesmo de destruir as relações comerciais historicamente estabelecidas entre o Brasil e os EUA, com a imposição de tarifas impensáveis e efeitos impossíveis de serem absorvidos para a economia brasileira sem profundas consequências danosas, deveriam nos alertar do quanto nós somos insignificantes em poder comercial e econômico, frente aos demais países que estão também sendo surpreendidos por aumento das tarifas comerciais.

Nosso crescimento econômico nas últimas décadas é bastante pífio, quando comparado, a partir de um determinado momento, com outras economias emergentes. É esse insignificante crescimento que nos deixa em condições desiguais para qualquer negociação necessária. Somos destaques somente em nichos de mercado como o do agronegócio e algumas commodities, mas extremamente dependentes em demais produtos básicos para nossa economia.

A verdade incontestável é que o Brasil não consegue crescer em um ritmo verdadeiramente sustentável há, pelo menos, cinco décadas. Essa incapacidade crônica de gerar desenvolvimento econômico de forma contínua e inclusiva tem como consequência direta e mais dramática a persistência de um grande contingente de nossa população em condições de pobreza e, o que é ainda mais preocupante, a elevação constante desse nível de vulnerabilidade social. A falta de oportunidades e a estagnação econômica perpetuam um ciclo vicioso de exclusão e desigualdade.

Sempre sob algum plano de siglas (PAC, MCMV, NIB, etc.), ancorados em benefícios fiscais e sem metas, o Brasil cresce aos soluços.


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Essa abordagem de projetos de curto prazo, invariavelmente concebidos e implementados sob a pressão por resultados imediatos, visando à obtenção de um crescimento econômico rápido e uma redução superficial da pobreza, invariavelmente proporciona o que popularmente se convencionou chamar de "voo da galinha".

O trabalho para alívio e redução da pobreza é uma tarefa de longo prazo e, consequentemente, de vários governos (e provavelmente de diferentes partidos), que não lhes dão continuidade por interesses simplesmente políticos.

A China, que hoje figura como um dos maiores e mais influentes membros do grupo das economias emergentes, apresentava em 1995 um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 400 bilhões. Nesse mesmo ano, o Brasil exibia um PIB consideravelmente superior, na casa dos US$ 600 bilhões. No entanto, a partir da implementação de um plano de governo rigoroso e estratégico, focado em um crescimento de longo prazo, com investimentos massivos em infraestrutura, educação, tecnologia e uma abertura gradual e controlada para o comércio exterior, a China alcançou, em 2024, um PIB espantoso de US$ 18,3 trilhões. Enquanto isso, no mesmo período, o PIB brasileiro, com um crescimento inexpressivo, atingiu um modesto PIB de US$ 2,2 trilhões.

Qualquer ameaça, por menor que pareça, de perda de alguns bilhões de dólares decorrentes dessas decisões tarifárias protecionistas ou de outras instabilidades comerciais torna-se, portanto, extremamente representativa e devastadora em um resultado de PIB tão inexpressivo para um país de dimensões continentais, das imensas riquezas naturais e da sua vasta população como o Brasil.

Comparado aos outros países que, assim como o Brasil, são considerados emergentes — Índia, China, Coreia do Sul — o Brasil lamentavelmente se posiciona como um grande retardatário perante esses países, que conseguiram, cada um a seu modo, consolidar trajetórias de crescimento mais dinâmicas e diversificadas, aproveitando oportunidades e superando desafios de forma mais eficaz do que nós.

O que, de fato, poderia ter sido feito no Brasil nesses 40 anos de retorno à democracia? O que não fizemos e por que não fizemos? O que nos impediu de fazer? E continuaremos a não fazer, perpetuando um ciclo de estagnação e desigualdade que impede o Brasil.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
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Carlos Eduardo Baptista

Presidente do CEM Rio

Indústria Metalmecânica - RJ

CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.

Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.

Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.

Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.