por Benjamin Yung    |   07/07/2015

Crise e sobrevida no mundo dos negócios

Os índices econômicos negativos que seguem sendo divulgados pela imprensa nacional, somados aos também negativos índices com relação ao governo atual mostram claramente que o período de instabilidade permanece, sem qualquer previsão ou sinal de recuperação.

Hoje, no Brasil, não há setor que esteja passando incólume à crise. Segmentos como o da construção civil, o automobilístico e o sucroalcooleiro sofrem intensamente os efeitos da turbulência econômica nacional.

A queda de receita e de margem reduziu a capacidade de as empresas cumprirem os compromissos financeiros. Na construção civil, estamos vendo estoques enormes e descontos ofertados de até 50% na tentativa de minimizar prejuízos. A indústria de automóveis, por sua vez, registra forte retração, tanto nas vendas – a pior nos últimos oito anos - quanto nas exportações de veículos, o que tem provocado a dispensa de trabalhadores. Muitas montadoras estão sendo socorridas pela matriz, mas indústrias que formam a cadeia de fornecedores desse setor sofrem tão ou mais com a crise.

Já o segmento sucroalcooleiro vem amargando anos críticos por conta de uma política problemática, cenário que culmina em pedidos de Recuperação Judicial e fechamento de centenas de usinas pelo país.

Setores do comércio e de serviços também estão sendo diretamente afetados pela crise. Segmentos como o vestuário, o de alimentos e o de varejo em geral registram retração. Redes de eletroeletrônicos, por exemplo, calculam queda de 30% nas vendas neste semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. Mesma queda foi sentida pelo mercado de livros. Junho foi considerado o pior mês do ano para as editoras.

Para o empresariado brasileiro, o momento pede extrema cautela e o desenvolvimento de uma rigorosa estratégia em nome não mais do crescimento, mas da sobrevida do negócio. Nesse sentido, o apertar dos cintos e o controle do fluxo de caixa, com mãos de ferro, é, mais do que nunca, essencial.

Imaginando-se um período mínimo em que a insegurança com relação à política do atual governo iniba a realização de investimentos, a implementação da previsão de fluxo de caixa deve ser, de pelo menos, seis meses. Para isso, é preciso que o empresário conheça detalhadamente seus custos e despesas atuais e provisione ao máximo, diante do risco iminente de esvaziamento do caixa da empresa.


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As despesas e custos devem ser revistos por completo, de modo que o empreendedor identifique onde pode cortar, sem que o serviço ou produto entregue ao cliente tenha a qualidade afetada. Esse cuidado é muito importante, porque de nada adianta cortar gastos que interfiram qualitativamente, o que resulta em insatisfação e perda de clientes, patrimônio valioso e escasso em tempos difíceis.

No rol de redução de despesas, há que se avaliar opções como a venda de ativos (desmobilização), mudança de planta, principalmente em casos onde há ociosidade, o enxugamento do quadro de funcionários e até mesmo o desinvestimento, ou seja, a venda de unidades ou linhas de produto.

A busca de mercado internacional, em alguns segmentos, pode ser uma alternativa frente ao desaquecimento do mercado nacional. Vale ressaltar, entretanto, que a concorrência mundial é enorme e muito difícil, ainda mais por conta da elevada carga tributária praticada no país.

Estudar a hipótese de se contratar um consultor especializado em reestruturação também pode ser uma alternativa. Esse profissional pode auxiliar na elaboração do plano e das projeções financeiras, assim como na intermediação e negociação com credores. Pode, ainda, auxiliar na obtenção de novas linhas de crédito, já que possui relacionamento e acesso direto às mais diversas instituições financeiras.

Embora o país esteja vivendo um período de crescimento no número de pedidos de Recuperação Judicial nos mais diversos ramos empresariais, este deve ser visto apenas como última alternativa, após o esgotamento de todas as outras ferramentas de controle e de gestão.

Para quem empreende no país, os dias têm sido de grande dificuldade. O sacrifício para manter um negócio, pelo menos, em curto e médio prazo, é enorme. O preço a ser pago é muito alto. Mas, é preciso passar por isso à espera da volta da abundância e dos investimentos internacionais, recolocando o país na tão desejada rota de crescimento.

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.

Benjamin Yung

O autor é especialista no segmento de reestruturação financeira e fundador da consultoria Estratégias Empresariais.


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