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Após pressão, governo cede a cortes nas montadoras

Mantega diz que fabricantes cumprem o prometido e avalia estímulos para vendas de motos

Depois de cobrar duramente do setor automotivo o compromisso pela manutenção dos empregos, já que foi beneficiado pela redução do IPI, o governo recuou e agora já admite cortes no setor, desde que o saldo (diferença entre admissões e demissões) seja positivo. Ontem, após receber representantes das montadoras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse estar satisfeito com os números apresentados pelos executivos. Segundo ele, a indústria automotiva como um todo, e a GM especificamente, estão cumprindo o acordo firmado em maio, durante o anúncio da desoneração. A montadora ameaça fechar uma unidade em São José dos Campos (SP), o que deve resultar em demissões.

- O saldo é positivo. A GM me mostrou os dados e no conjunto das fábricas do país há um aumento do emprego. Não, há portanto, desemprego - destacou o ministro.
 
Esses números, entretanto, não foram divulgados. O vice-presidente da Anfavea e diretor da GM, Luiz Moan, disse apenas que os empregos se mantiveram estáveis nos últimos meses e que desde janeiro de 2008 a montadora abriu 1.848 vagas no país.
 
Segundo Moan, há um excedente de funcionários numa das fábricas da montadora em São José dos Campos, que não recebeu investimentos na nova política de realocação de recursos da montadora. E que negocia uma solução "cautelosa" com o sindicato local.
 
Para Mantega, o problema da GM é isolado, restrito a uma das fábricas da montadora.
 
- Não nos cabe administrar conflitos trabalhistas específicos. Isso cabe ao Ministério do Trabalho - disse Mantega. - Do ponto de vista do acordo que foi feito na desoneração, eu me considero satisfeito.
 
O ministro disse ainda que estuda medidas para estimular as vendas de motos. Segundo o ministro, os bancos estão retraídos em oferecer crédito ao segmento. Na semana passada, representantes dos fabricantes estiveram no Ministério e pediram a liberação de parte do compulsório (dinheiro dos bancos depositado no Banco Central), para fazer frente à restrição ao crédito.
 
- Estamos trabalhando para garantir o crédito e estimular as vendas de motos - disse o ministro, sem dar detalhes.
 
Por Geraldo Doca/O Globo
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