Maior projeto de CCS do planeta recebe luz verde

A tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é considerada uma opção para o período de transição dos combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia. Muitos países, como Inglaterra e China, extremamente dependentes do carvão, enxergam nela a única forma de limpar sua matriz energética rapidamente sem precisar cortar o consumo de forma radical. Outro país que compartilha essa visão é o Canadá, que anunciou nesta terça-feira (26) o início da construção do maior projeto de CCS do mundo na usina de Boundary Dam, na província de Saskatchewan.

A iniciativa terá um custo estimado de US$ 1,31 bilhões e será gerenciada pela geradora SaskPower. O objetivo é a captura de um milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano a partir de 2014. “A liberação deste projeto em conjunto com os investimentos contínuos em fontes limpas devem garantir um futuro mais verde para todos. Boundary Dam será uma líder mundial, a primeira usina em escala comercial com um sistema de captura e armazenamento de carbono integrado” declarou o ministro canadense Rob Norris, que é responsável pela gestão da SaskPower.

Usina de Boundary DamO projeto conta com a parceria da Hitachi e da Cansolv, uma subsidiária da Shell. A Cansolv está disponibilizando as técnicas para o processo de armazenamento, enquanto a Hitachi produzirá a primeira turbina do mundo desenhada especificamente para a captura de gases. Uma das novidades da iniciativa está na reutilização dos gases capturados, em especial do CO2 e do dióxido de enxofre (SO2). O CO2 será vendido para que seja usado na extração de resquícios de petróleo em poços abandonados. Já o SO2 será negociado com a indústria química para ser matéria prima de outros compostos, como o ácido sulfúrico.

“Ninguém investiria US$ 1,31 bilhões em algo sem a certeza de que será economicamente viável”, afirmou Robert Watson, presidente da SaskPower, que informou ainda que durante a construção mais de 600 empregos diretos e 6000 indiretos deverão ser criados. O governo canadense entrou com U$ 252 milhões no projeto, o restante dos recursos vieram da própria SaskPower.

Além dos custos financeiros, o sistema de CSS vai ter um impacto na geração energética da usina. Na unidade em que vai ser instalado, a geração vai cair de 139MW para 110MW, devido ao efeito “parasita” da tecnologia, que precisa de uma grande quantidade de energia para funcionar. Porém, se tudo sair conforme o planejado, o CCS vai permitir que a usina de Boundary Dam, construída em 1957 e principal fornecedora de energia para a província de Saskatchewan com mais de 800MW, continue sendo utilizada por várias décadas, poupando uma grande quantidade de recursos públicos que seriam utilizados na construção de novas instalações.

“O governo canadense está preparando medidas mais severas para o controle de emissões, o sucesso desse projeto é fundamental para que o carvão siga sendo uma alternativa viável para o país”, esclareceu Norris. O CCS sofre criticas justamente por possibilitar essa extensão do uso dos combustíveis fósseis e talvez por desencorajar investimentos em fontes limpas de energia. Porém, parece claro que as alternativas de “carvão limpo” vão se multiplicar pelo mundo, impulsionadas por interesses de grupos industriais já consolidados. Um meio termo entre as tecnologias que “limpam as fontes sujas” e as de energia renováveis deve ser encontrado para que a economia de baixo carbono se torne uma realidade o mais rápido possível.




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