Crise preocupa siderúrgicas

Ameaça de recessão mundial pode postegar inversões no Brasil de US$ 39,9 bi até 2013. Estimativa é de que siderúrgicas poderão fazer orçamento apenas para o 1º trimestre do próximo ano A ameaça de uma recessão mundial preocupa executivos de empresas de siderurgia e papel e celulose, que já haviam planejado pesados investimentos para acompanhar o aquecimento da demanda mundial pré-crise. Os grandes grupos siderúrgicos, que planejavam investir no Brasil US$ 39,9 bilhões até 2013, evitam divulgar estimativas para seus negócios nos próximos meses.

Ainda em compasso de espera, o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) já admite que podem ocorrer ajustes nos planos das empresas, mas ainda estão sendo apurados os reflexos da crise financeira na demanda por aço.

"É difícil fazer qualquer tipo de projeção, mas não há dúvida de que o impacto da crise vai respingar na economia real. Se grandes montadores que atuam no País resolverem, por exemplo, dar férias coletivas a seus funcionários porque as exportações já não estão no nível esperado, haverá redução do consumo interno de aço", avalia o vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes. Ele acrescenta, no entanto, que a entidade ainda não reuniu informações para uma revisão de investimentos. Esta semana, o presidente da ArcelorMittal no Brasil, José Armando de Figueiredo Campos, admitiu que a companhia poderá reduzir sua produção no país, caso haja redução de demanda por aço. "Não faz sentido manter a oferta quando a demanda cai", disse o executivo Ele acredita que a crise pode levar a empresa a adiar a definição sobre o orçamento da companhia em 2009.

BNDES - "Agora é momento para esperar e avaliar o mercado", disse. Caso seja necessário, a siderúrgica poderá fazer um orçamento apenas para o primeiro trimestre do ano, até que as perspectivas mundiais fiquem mais claras. Apesar da cautela, o executivo informou que o acesso a crédito de longo prazo continua aberto, mesmo com a crise. "Os bancos de desenvolvimento querem bons projetos de longo prazo", afirmou.

O receio dos investidores ainda não bateu às portas da diretoria de Infra-Estrutura e Insumos Básicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com o diretor da área, Wagner Bittencourt, até agora não houve qualquer pedido de cancelamento ou adiamento de pedidos de créditos em avaliação pelo banco.

"Estamos fazendo um acompanhamento constante, mas os números até setembro não mostram redução, nem mesmo, no número de consultas", diz ele. Apesar do momento ser de cautela mundial, ele acredita que os projetos voltados para o setor de insumos básicos não devem ser revistos. "Alguns setores sentirão mais os reflexos da crise que outros. Mas, a nosso favor temos o fato de o Brasil ser muito competitivo na mineração, siderurgia e na produção de papel e celulose. A tendência é que quem seja menos competitivo do que nós perca mais", acrescenta o diretor.
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