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"Nosso papel é manter a Indústria 4.0 na pauta estratégica das empresas e do país"

José Rizzo Hahn Filho fala sobre sua trajetória profissional, aprendizados, e importância de entidades como a ABII, que comemora quatro anos em agosto.

Por: ABII      14/08/2020 

José Rizzo Hahn Filho atua na área de automação industrial há mais de 25 anos e representa a Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) e sua empresa, que é líder em tecnologia industrial, em diversos fóruns nacionais e mundiais. Desde 2001, foi selecionado pela Endeavor para apoiar fortemente as causas do empreendedorismo e inovação no Brasil e também carrega o título de Empreendedor do Ano pela Ernst & Young. Atualmente, é presidente da ABII e CEO da Pollux. 

Nas próximas semanas você confere outras entrevistas com os integrantes da diretoria, que permanece à frente da ABII até abril de 2022. É uma forma de inspirar e aproximar você da nossa entidade, que completou quatro anos de fundação no dia 10 de agosto. A ABII atua com o objetivo de promover o crescimento e o fortalecimento da indústria 4.0 e da IIoT (Industrial Internet of Things) no Brasil. Boa leitura!

Qual é a sua formação profissional e como ela te trouxe até aqui?

Rizzo - Quando iniciei a engenharia no Brasil, na década de 80, os primeiros PCs surgiram e me apaixonei pela tecnologia. Via grande potencial na computação. Resolvi estudar nos Estados Unidos para estar mais próximo dessas inovações. Acabei me graduando como engenheiro mecânico pela Iowa State University. Foi lá que o primeiro computador digital foi desenvolvido, no final da década de 30. Essa foi a base para desenvolver minha carreira, sempre na área de tecnologia.

Você continua estudando? Como o estudo se encaixa na sua rotina atual?

Rizzo - Tenho uma imensa curiosidade. Sempre que me deparo com algo que não conheço, procuro entender o que é. Muitas vezes vou a fundo no estudo. Pode ser qualquer tema, não apenas quando o assunto é tecnologia. Nunca voltei para os bancos das universidades, mas sigo aprendendo todos os dias.


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Me conte um pouco sobre sua trajetória profissional? Como foi o início e como é hoje?

Rizzo - Ainda nos Estados Unidos, trabalhei por dois anos em um laboratório de pesquisas avançadas do Governo Americano, o Ames Lab. Logo em seguida, já de volta ao Brasil, trabalhei por quatro anos na Embraco. Fazia parte de um time que cuidava da Manufatura Integrada por Computadores (CIM). Nos últimos dois anos por lá, passei para a Área de Desenvolvimento de Produtos. A Embraco para mim foi uma segunda Universidade. Em 1996, saí para fundar a Pollux, onde sigo como CEO até hoje.

Qual foi o momento de maior aprendizado profissional que você teve?

Rizzo - Certamente neste tempo em que estou à frente da Pollux. Empreender requer conhecimento não apenas da sua área específica de formação, mas também de gestão de pessoas, finanças, marketing, legislação... A lista é longa, e o aprendizado nunca termina.

Teve alguma oportunidade que você deixou passar e se arrepende? Ou ao contrário, teve uma oportunidade que você abraçou e só depois percebeu o quanto ela mudou o roteiro da sua vida?

Rizzo - Com a Pollux vislumbramos oportunidades o tempo todo. Várias acabam descartadas, pois não tem como perseguir todas elas. Mas sem arrependimentos. Procuramos tomar a melhor decisão em cada caso, com as informações que temos em mãos e seguimos adiante, sem olhar para trás. Do ponto de vista pessoal, a decisão de estudar fora e depois empreender em Santa Catarina são duas decisões que funcionaram muito bem no meu caso. Fui muito feliz nessas escolhas, pois estão na base do que consegui construir e também me deram de presente a chance de conhecer minha mulher, minha grande parceira nesta jornada, com quem tenho filhos maravilhosos.

Uma dica para um jovem que está iniciando sua jornada profissional:

Rizzo - Sempre entregue o melhor de si no que fizer. Seja íntegro em todas suas ações, mantenha-se otimista e saiba trabalhar de forma colaborativa. O sucesso profissional virá naturalmente.

Você se considera um empreendedor? O que é empreender para você?

Rizzo - Sou apaixonado por empreender e não penso em trabalhar de outra forma. Empreender é lutar com todas as forçar pelo seu projeto, sem medir esforços, principalmente nas adversidades. É reunir o melhor grupo de pessoas possível que também tenham o mesmo propósito e estar muito disposto a assumir riscos a cada nova etapa do negócio.

Liderança e inovação são fundamentais? 

Rizzo - Certamente. Muito difícil atingir grandes objetivos sem forte liderança, já que na maior parte dos casos as conquistas são resultantes do trabalho de equipes, que precisam estar muito alinhadas e motivadas para atingir uma meta comum. Já faz algum tempo que inovar de forma permanente se tornou essencial para o crescimento e sustentabilidade dos negócios, já que o mundo muda de forma cada vez mais acelerada e novos modelos de negócio são criados todo o tempo.

Como você chegou a ABII e se tornou um dos diretores? É um trabalho totalmente voluntário, certo? 

Rizzo - Eu participava ativamente do Consórcio de Internet Industrial (IIC) fundado nos Estados Unidos por alguns dos gigantes da tecnologia. Tínhamos quatro encontros anuais em países diferentes nos quais nos atualizávamos sobre os avanços e iniciativas de diversas nações nesta direção. Quando retornava ao Brasil, sentia que pouco estava sendo feito por aqui e que isso seria ruim para nosso futuro próximo, já que a Internet Industrial é verdadeiramente transformadora em diversos setores econômicos. Surgiu então a ideia de criar algo parecido. Uma associação na qual qualquer empresa, instituição de ensino ou entidade pudesse enviar seus profissionais para uma imersão no tema, atuando em Grupos de Trabalho e trocando experiências para ajudar todos a acelerar a adoção da Internet Industrial no país. Foi assim que em agosto de 2016 fundamos a ABII. Estou no segundo mandato como Presidente. E sim, todos nossos diretores são voluntários, pessoas incríveis que se doam por um país melhor.

Qual a importância da ABII no atual contexto do país?

Rizzo - O Brasil atravessa uma fase muito difícil sob vários aspectos no momento, agravada ainda mais pelo pandemia. Em um período como esse, todos se voltam para o curtíssimo prazo, modo de sobrevivência. Nosso papel é manter a Indústria 4.0 e a Internet Industrial na pauta estratégica das empresas e do país, procurando garantir que as iniciativas já em curso não sejam abandonadas ou reduzidas por conta da conjuntura, pois serão essenciais no processo de retomada. Não podemos ficar para trás.

Especificamente neste momento que estamos enfrentando a pandemia do coronavírus qual o papel da tecnologia?

Rizzo - A tecnologia tem um papel central na superação da crise causada pela pandemia, tanto na sua resolução em definitivo por meio das vacinas e medicamentos, como durante sua travessia, permitindo que muitas operações sigam ativas em novos formatos mais digitalizados e automatizados. Empresas mais adiantadas no processo de digitalização tiveram menos dificuldades para se adaptar ao cenário adverso, o que deverá incentivar mais negócios a acelerarem sua transformação digital.

Você acredita que vamos para um outro patamar de utilização das tecnologias da internet industrial e indústria 4.0 após a pandemia?

Rizzo - É o que os especialistas acreditam. Na verdade não avançar nesta direção se traduzirá no fim do negócio por falta de competitividade. A pandemia acabou acentuando fragilidades em diversos processos, como nas cadeias logísticas por exemplo. O incentivo para acelerar a adoção das tecnologias cresceram. Lembrando também que estamos muito próximos da introdução da tecnologia 5G, que certamente será um divisor de águas para a Internet Industrial, pois permitirá a coleta massiva de dados e sua análise para otimizar todos os aspectos da operação, com ganhos substanciais. Não será possível competir com empresas fortemente digitalizadas e conectadas sem estar na mesma condição.

Qual a importância das pessoas na transformação digital?

Rizzo - As pessoas são o elemento fundamental, o maior protagonista do movimento da transformação digital. Precisamos de líderes para decidir e puxar as ações concretas, bem como de especialistas de alto nível para executar a implantação dos sistemas. As pessoas também podem representar o maior obstáculo, quando assumem uma postura de resistência às mudanças.

Quem é seu guru, sua grande inspiração na vida? O que aprendeu com ele ou com ela?

Rizzo - Foi convivendo com meu pai que aprendi a ser otimista, acreditar que tudo é possível e tratar todas as pessoas bem e da mesma forma. E sou muito fã do Einstein, quando diz que "a imaginação é mais importante que o conhecimento".

Indique um livro (ou um filme, uma série, ou site, um canal) que seja inspirador para este momento de quarentena:

Rizzo - Nos tempos atuais, onde tudo está difícil e as pessoas estão cansadas e assustadas, é bom lembrar que muitos já passaram por experiências bem piores e conseguiram superar, como o sobrevivente de guerra Louis Zamperini, que teve sua história narrada no livro "Invencível" de Laura Hillebrand e que virou filme sob a direção de Angelina Jolie. Essa sim, uma batalha pessoal duríssima e que mostra a capacidade de luta do ser humano em situações extremas.

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