por Clara Rejane Scholles    |   31/07/2018

Como reduzir o custo do seguro empresarial com a manutenção preditiva

Veja como a aplicabilidade de técnicas preditivas pode auxiliar empresas a adquirir e reduzir os custos do seguro empresarial

Contratar seguro empresarial é essencial para prover segurança a longo prazo, sendo contratado desde por microempresas até por grandes corporações.

Assegurar os ativos e o patrimônio da empresa é uma garantia para o administrador de que sua indústria não está cometendo erros. A decisão também fortalece a imagem da gestão porque seguradoras tendem a recusar serviços a empresas que julguem não atender seus critérios de segurança.

É comum distintos setores terem custos de seguro diferenciados, pois, cada indústria e empresa tem suas particularidades. Só que isto abre grande margem para interpretações sobre quais são fatores de risco mais relevantes a se considerar na hora de assegurar qualquer bem. Essas divergências podem mudar de uma seguradora para outra. Tornando indispensável que a empresa que deseja contratar um seguro tome precauções redobradas.

CRITÉRIOS DE VIABILIDADE E CUSTO DE CONTRATAÇÃO DE SEGUROS

As seguradoras consideram diversas variáveis na hora de definir o preço do seguro. São feitas visitas técnicas e análises do documentos da empresa interessada. Práticas tomadas pelos gestores podem tanto elevar, quanto reduzir o valor final do prêmio de seguro. Fatores valorizados por seguradoras são a aplicação de medidas de segurança. Tais como monitoramento de componentes de risco e manutenção dada ao maquinário utilizado.

Isto ocorre pois, por exemplo, ao fazer uma apólice de seguro, especialistas analisam:

I- Setor, localização, tamanho e infraestrutura do empreendimento;

II- Quantidade e vulnerabilidade dos pontos críticos de uma indústria, planta, usina, etc;

III- Probabilidade de ocorrer algo que cause prejuízos ao bem segurado — evento chamado no meio de “sinistro”. Estes eventos incluem, por exemplo, incêndios, enchentes, vendavais, quedas e furtos.

IV- Capacidade da empresa segurada em detectar, agir e se precaver de problemas que venham a ocorrer. Até mesmo ser capaz de comprovar o treinamento adequado dado aos colaboradores no chão de fábrica.


Continua depois da publicidade


Várias práticas podem ser implementadas em uma indústria para serem usadas como argumentos na hora de negociar descontos do prêmio de seguro ou pedir aumento da indenização. Fatores positivos, que ajudam a reduzir esse valor são: Monitoramento de ativos em pontos críticos — vibração, temperatura, pressão, vazamento, etc; análise de gastos com manutenção preditiva, preventiva e corretiva; renovação do maquinário; treinamento da equipe; baixo grau de periculosidade do setor e atividades realizadas, tanto do dia a dia quanto da manutenção; avaliam as condições prediais para este tipo de seguro e certificações junto às autoridades competentes; estar de acordo com a NR-12; certificação por peritos próprios e/ou independentes, dentre vários outros.

DIFICULDADE DE INSPEÇÃO

Especialmente para clientes menores ou que têm operações específicas em determinados setores industriais, seguradoras podem não ser capazes de avaliar adequadamente um bem, equipamento ou estrutura. Isto leva indústrias a terem pedidos de seguro negados por falta de estrutura das seguradoras de atestar com convicção se uma empresa segue ou não normas de segurança e boas práticas de manutenção. E, quando não é cancelado, o processo de aprovação pode ser adiado por meses. Por isso, as seguradoras valorizam quando o segurado tem a iniciativa de monitorar certos ativos, agilizando o processo de análise de riscos e reduzindo o risco do sinistro.

Por exemplo, uma seguradora brasileira afirma em seu manual de clientes — sem dar justificativas no texto — que não assegura transformadores com mais de 1.000kVA e motores acima de 1.000kW de potência. Porém, faz um adendo, liberando o seguro “salvo se protegidos com disjuntores térmicos ou fusíveis, e com manutenções preventiva e preditiva realizadas, devidamente comprovadas por inspeção”.

A MANUTENÇÃO PREDITIVA COMO GARANTIA DE SEGURANÇA

Implementar melhores técnicas preditivas é um ganho para as partes.

O segurado pode usar o registro de dados obtidos, com análises de temperatura e vibração, para pleitear benefícios e descontos baseados nas boas práticas da empresa. Pode demonstrar que seus ativos críticos não apresentam problemas. E, quando surgem anomalias, a equipe de manutenção é rápida em agir. Reduzindo assim, as possibilidades de ocorrer o sinistro e caracterizando a organização como um “bom” segurado, ao qual vale a pena ter como cliente. Ou seja, na hora de fazer ou renovar o seguro empresarial, o histórico da manutenção preditiva é o certificado de pedigree da empresa.

Já as seguradoras tem maior garantia da conformidade de boas práticas de manutenção por parte do segurado. Um bom cliente gera mais confiança para conceder apólice a uma indústria, mesmo que esta opere em setor de alto risco. E especialistas da agência de classificação de risco de crédito A. M. Best, especializada em seguradoras, também concordam com esta afirmação.

Em seu relatório de abril de 2018, a A. M. Best dedicou-se a falar exclusivamente das vantagens das análises preditivas para o setor de seguros. Afirma que “O maior uso de dados e análises [preditivas] levou a melhores informações para auxiliar a seleção de riscos — quando e onde aumentar ou reduzir [a participação em um setor]”.

Ou seja, técnicas preditivas podem indicar, por exemplo, se uma esteira tende a causar mais problemas que semelhantes de outras marcas, ou como se comporta um mesmo motor aplicado a setores diferentes. Isto é feito cruzando as informações do potencial cliente com sua própria base de dados. Isto agiliza o processo de decisão e confiabilidade em se aprovar ou rejeitar potenciais segurados.

MONITORAMENTO REMOTO

Existem soluções acessíveis para realizar a coleta remota de dados de diferentes pontos críticos para posterior análise e diagnóstico. É possível atender a demandas de monitoramento por seguradoras enquanto reduz gastos com manutenção corretiva e preventiva. Sem necessidade de grandes investimentos, aumentando a produtividade, ou mesmo otimizando o trabalho da equipe de manutenção.

Um exemplo, destas propostas de monitoramento é a solução DynaPredict, um dispositivo acompanhado por aplicativo para smartphones e plataforma web. Sua função é monitorar a vibração e temperatura do maquinário. Com ele é possível, via conexão Bluetooth, acessar históricos de dados, realizar análise espectral e conhecer efetivamente, e à distância, a condição e a saúde de seus ativos. Sendo a aplicação de soluções como esta críticas para a implementação de boas práticas preditivas.

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

Clara Rejane Scholles

Perfil do autor

Diretora Comercial - Dynamox Soluções Criativas

Dynamox S.A