Bosch quer difundir ABS nas motocicletas

Sistemista negocia com montadoras locais e deve fornecer item em 2013

A Bosch quer difundir o uso do ABS nas motocicletas brasileiras. Apesar de sua eficiência na redução de acidentes, o sistema antitravamento dos freios equipa menos de 1% das motocicletas vendidas no País. “Estamos em negociação com fabricantes locais e em 2013 deve haver novidades”, afirma o presidente da Bosch na América Latina, Besaliel Botelho. Os ABS para motocicletas são da nona geração e produzidos na Alemanha. Podem equipar até mesmo modelos de 125 cc. 

Botelho se recusa a fazer estimativas de preço para motos equipadas com o item: “Existem variantes como a importação ou nacionalização do equipamento”, diz. Mas é certo que a elevação do preço seria muito sentida nos modelos de entrada. A Honda mais acessível no Brasil com sistema antitravamento opcional (feito pela Nissin) é a CB 300R. Sem freios ABS a moto sai por R$ 11.690. Com o item o valor sobe para R$ 13.390, 14,5% a mais. 
 
Em modelos de 125 cc ou 150 cc essa alta seria maior porque, além do equipamento, teriam de receber freios a disco dianteiro e traseiro. Cabe aqui uma explicação: é verdade que muitos automóveis usam tambores nas rodas de trás, discos na frente e têm ABS atuante nas quatro rodas, mas isso ocorre porque todo o sistema utiliza circuitos hidráulicos. Nas motos, os freios a tambor são em regra acionados por cabos ou varões, incompatíveis com o ABS. Vamos tomar novamente uma Honda como base: uma CG 150 Fan passa de R$ 6.380 para R$ 6.680 quando seu freio dianteiro a tambor é substituído por disco. Pela lógica, passaria dos R$ 8,5 mil com freios a disco dianteiro e traseiro mais ABS. 
 
A Bosch também produz um módulo para moto com apenas um canal, portanto aplicável apenas em uma roda. Nesse caso, equiparia a roda dianteira, em que o uso do disco é mais comum. Os sistemas que a Bosch vem oferecendo às fabricantes locais poderão ser feitos na unidade da empresa em Campinas (SP), que tem duas linhas de ABS de oitava geração e outra de nona, que começará a produzir em dezembro. “Mas para fazermos aqui seria preciso investimentos, o que depende de demanda”, disse Botelho. Dessa forma, a Bosch de Campinas não produzirá ABS para motos antes de 2014.
 
Por Maurício Curcio/Automotive Business
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