Indústria lidera investimento estrangeiro no País

Até maio, dados do BC mostram que foram destinados ao setor US$ 10,3 bi; volume 44% maior do que em 2011

A indústria voltou a ser o setor da economia que lidera a atração de recursos ao setor produtivo, o chamado Investimento Estrangeiro Direto (IED). Apesar de a crise global ter diminuído o volume total de transferências ao Brasil em 2012, fábricas não sentiram a queda e, ao contrário, receberam mais dólares. De janeiro a maio, o segmento absorveu praticamente metade do dinheiro recebido pelo País. Fatia importante via empresas de menor porte.

Dados do Banco Central mostram que US$ 10,3 bilhões foram destinados ao setor industrial até maio, volume 44% maior que no mesmo período de 2011. Com o aumento, o segmento voltou a liderar o ranking dos maiores beneficiados pelo IED, posto perdido pela primeira vez no ano passado, quando serviços atraíram a maioria do dinheiro.
 
A inversão no ranking é explicada por dois movimentos. O primeiro é a ausência de grandes operações no segmento de serviços. Ao contrário do visto no ano passado, não aconteceram grandes operações como a compra da Vivo pela Telefónica e a entrada da Portugal Telecom no capital da Oi. Sem transações expressivas, o volume de IED para serviços caiu 52% de janeiro a maio. Em telecomunicações, a queda é dramática: 99,5% ante igual período de 2011.
 
O segundo fator que explica a reação da indústria é que alguns projetos foram tirados da gaveta. Mesmo com o desempenho estagnado do setor - que deve fechar o ano com crescimento zero - algumas empresas têm olhado para o futuro. "É possível notar uma mudança no perfil dos projetos da indústria, que passam a focar mais o mercado interno", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima.
 
"O investimento industrial demora a maturar e a intenção das empresas não é, necessariamente, abalada pelo desempenho do setor no curto prazo", diz Luciano Almeida, presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade, a Investe SP, ligada ao governo estadual.
 
Perfil. Entre os investimentos anunciados recentemente, é possível notar uma alteração no perfil das empresas interessadas no Brasil. Hoje, em vez de megaprojetos, o País tem recebido cada vez mais investimentos voltados para companhias menores.
 
Dois bons exemplos estão no interior paulista, onde a chegada de montadoras trouxe uma série de empresas de menor porte que fornecem peças para automóveis. Segundo a Investe SP, dez empresas abriram filiais em Sorocaba para atender à nova planta da Toyota. Em Piracicaba, nove companhias se instalaram no parque industrial, que tem sido chamado de "Hyundainópolis".
 
"O setor automotivo é, culturalmente, o mais integrado. Uma montadora sempre traz fornecedores para perto e a maioria deles é estrangeiro", diz Almeida. Na cadeia de produção de automóveis, é importante ter fornecedores próximos para reduzir custos e aumentar a produtividade nas entregas e estoque.
 
Os números do BC confirmam a chegada de empreendimentos menores. De janeiro a maio de 2011, 40% do IED destinado ao Brasil era em projetos de até US$ 100 milhões. Neste ano, a fatia nessa faixa aumentou para 52,7%. Por outro lado, os empreendimentos com valores superiores a US$ 1 bilhão em investimentos, caíram de 27,3% para 11,8% em um ano.
 
Argentina. O presidente da Investe SP diz que há, ainda, um fator conjuntural que pode influenciar na decisão de investir no Brasil: a Argentina. "Já há alguns casos de empresas que iriam para o país vizinho e decidiram montar unidades no Brasil pela insegurança jurídica e econômica criada pelo atual governo."
 
Por Fernando Nakagawa/O Estado de S. Paulo
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