Universidades paulistas constroem polo de pesquisa em energias renováveis

Polo Temático em Energias Renováveis e Meio Ambiente (Polo TErRA) é o nome do núcleo de pesquisas em bioenergia que será sediado no Campus 2 da USP em São Carlos, numa área de 216 mil metros quadrados (m²), com entrega das instalações prevista para 2014.  O Polo TErRA tem o objetivo de reunir especialistas de três universidades públicas do Estado de São Paulo (USP, Unesp e Unicamp) engajados em pesquisas relacionadas à geração de energia a partir de biomassa. O projeto faz parte das iniciativas do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Bioenergia e Sustentabilidade (NAPBS), lançado em junho na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, em Piracicaba, e do Centro Paulista de Pesquisas em Bioenergia.

Prédio terá três blocos, teatro e dois espaços destinados para eventos
Esta integração pretende estimular e articular pesquisas sobre biomassa e tecnologias de transformação em biocombustíveis, além de promover e aplicar o conhecimento gerado. De acordo com o coordenador geral do núcleo, Antônio Roque Dechen, professor da Esalq, o NAPBS pretende igualmente implantar um programa de pós-graduação interuniversidades em bioenergia e sustentabilidade.

Atualmente, apesar de haver grande dedicação às áreas de biocombustíveis, energias renováveis e meio ambiente nos grupos de pesquisa das universidade públicas estaduais, o conhecimento mútuo da pesquisa realizada nestas áreas é dificultado em grande escala pela dimensão e dispersão geográfica das instituições. Nesta fase inicial da pesquisa estão envolvidos pesquisadores da Esalq, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), do Instituto de Química (IQ), do Instituto de Biociências, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB),  da Escola Politécnica (Poli), das unidades de Ribeirão Preto e da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP.

Estes grupos de pesquisa atuam nas mais diversas áreas relacionadas à bioenergia, que vão desde a agricultura e genética de plantas a impactos socioeconômicos e ambientais. Devido a esta complexidade de tópicos, o trabalho foi estruturado em seis principais eixos, que cobrem todas as etapas da produção de energias renováveis: “Produção de Biomassa”, “Genômica Funcional”, “Transformação da Biomassa em Biocombustíveis”, “Morfologia e Composição de Biomassa”, “Processos Industriais” e “Sustentabilidade”. Esta estruturação permitirá um desenvolvimento coordenado de significativa relevância científica e econômica, além de maior produtividade e transferência de conhecimento para o setor produtivo.

Aplicações
“Nós não queremos fazer apenas pesquisa básica”, afirma Igor Polikarpov, professor do IFSC, vice-coordenador do NAPBS e dedicado integralmente às pesquisas relacionadas à degradação de biomassa. “Queremos também fazer pesquisa aplicada, que leve até a sociedade os benefícios daquilo que estamos fazendo”, completa o pesquisador.

Os custos deste novo prédio serão suportados por meio de investimento do governo estadual, que contribuirá com R$ 20 milhões na infraestrutura, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investirá nos projetos de pesquisa, e pela USP, que providenciará os recursos humanos necessários para o trabalho prático.

O prédio já tem um projeto pronto, apresentando uma área total que envolve 216 mil m², divididos em três blocos. Contará com um teatro principal com capacidade para mil pessoas e dois espaços de 2.700 m² cada, destinados a eventos, e um estacionamento para 1,3 mil veículos. Este novo centro de convenções é uma forma de a USP estreitar os laços locais e regionais, servindo tanto à universidade como à comunidade.

Segundo Polikarpov, a construção do centro seguirá à risca aquilo para que foi concebido. “Será um ‘prédio verde’”, afirma. A estrutura do prédio deve estar preparada para aplicar, na prática, os princípios da sustentabilidade, constituindo um prédio ecologicamente correto. “Teremos ventilação natural, captação de água pluvial, janelas basculantes no teto do último andar, para dispensar uso de energia elétrica, vigas de sustentação feitas de madeira, entre outras coisas”. A expectativa é que as obras tenham início em 2012 e sejam finalizadas em dois anos. “Nosso ambiente de trabalho será um reflexo das nossas pesquisas: um ambiente inteiramente renovável”, refere Polikarpov.

“O mais importante é que, compartilhando um local de trabalho, equipamentos, e principalmente idéias, podemos ampliar nossa visão e talvez fazer algo diferente, para além daquilo que já estamos fazendo bem”, conclui o pesquisador.


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